quinta-feira, 25 de setembro de 2014

MANJARES EM RODA DE CONVERSA: MINHA DOCE ESTRELA DALVA,por João Maria Ludugero


 
  
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
MANJARES EM RODA DE CONVERSA: MINHA DOCE ESTRELA DALVA,por João Maria Ludugero

Vive dentro de mim esta mulher estrela Dalva pra vida inteira, apesar de ora ocupar outra seara no andar celeste... Um monte de tanta nostalgia, tanta saudade se espalha pelo interior da minha Várzea das Acácias...
Recordo minha mãe pelos vãos da nossa casa, na sala-de-estar, pelos corredores, com um pé na cozinha. Um não, os dois.

A cozinha era sempre aconchego para o seu desembaraço.
Era o melhor lugar da casa. Com certeza, o melhor lugar da nossa casa. Palco de inesquecíveis histórias familiares e relicário de aromáticas memórias afetivas. Cozinha e comida de mãe, afago certeiro no coração.

Não é por acaso que sou assíduo ao ambiente dessas lembranças do meu lar. Com sua colher de pau, receitas propícias e uma dose extra de extravagância e imaginação, minha mãe exercia plenamente suas prendas gastronômicas. Em suas panelas tentava replicar momentos eternizados no céu do nosso paladar. Um doce de Mãe!

De posse dos seus apetrechos de forno e fogão, brincava sério, então, de ser a nossa mãe-cozinheira, e vou me lembrando das delícias que ela preparava na cozinha, era como um santuário de encontros em tardes dedicadas à feitura de café torrado e batido no pilão, filtrado no bule em coador de pano, servido com tapiocas, farofas, paçocas, cuscuz de milho-zarolho, torresmos, bolachas e bolos de mandioca, quebra-queixos, puxa-puxas, canjicas, munguzás, cocadas, manjares de coco, pipocas, grudes e coalhadas...etc.

Vou ensaiando uma dança ritmada de gestos elaborados junto com os ingredientes da minha imaginação. Sigo receitas em letras e lavras, mas dou sempre uma pitada da minha personalidade literária.

Minha performance é uma saborosa mistura de tudo que aprendi com a dedicação da minha mãe. Porque cozinhar exige aptidão e muitíssima boa vontade. Sentimento é tudo na hora de preparar um alimento. Assim, a correr dentro, nas lembranças da cozinha lá de casa, meu poema borbulha fumegante enquanto apimento as palavras com originalidade.
Cozinhar é uma prece e uma arte também. É demonstração de amor e é carinho e cafuné no apetite alheio. Receber quem a gente quer bem em uma mesa preparada com capricho é uma linda forma de demonstrar amor.
E comida gostosa agrega família, amigos e tece fraternidade. A melhor maneira de reunir pessoas é com uma comidinha feita com as mãos e com o coração também. Ponto. Disso decorre reuniões acaloradas, com muitas risadas e mescladas com regalos que encantam o paladar e satisfazem o apetite.

Comida antes de tudo tem que ter charme. Apresentação é a palavra chave. É claro que o sabor é imprescindível, mas dizem que nós comemos primeiro com os olhos, e é verdade.

Faço poemas com palavras e alimentos. E sei que estou proporcionando lindas lembranças aos meus filhos, transmitindo a eles o que eu recebi como herança afetiva. Casa alegre é casa cheia, de gente, barulho, plantas, bichos, bagunça, livros e também de mesa sempre posta com delícias apetitosas.
A atividade culinária se ensina principalmente com o exemplo, assim como a leitura, educação e respeito à vida. Receber bem exige carinho, acolhimento e atenção. Eu gosto, e muito. Sempre. E, feito minha mãe, gosto e continuo com um pé na cozinha. Um não, os dois.

Mesmo que seja com entusiasmo, eu aumento a água no feijão e dou corda ao paladar a ensejar a degustação dos meus singelos versos na mesa da prosa e da poesia, numa possante roda de conversa... Ponto. Ainda não, etc...

Vive dentro de mim a eterna estrela: Dona Maria Dalva, minha terna mãe -Eterna mão da doçura. Enxerto do sertão potiguar, descendente dos Pachecos de Angicos e de Santana do Matos. Trabalhadeira. Madrugadeira. Tão corajosa. Bem parideira. Bem criadeira. Seus quatorze filhos, seus tantos netos.
Ora, misturo lembranças, afetos, ervas e temperos. E assim, embalado pelas recordações daqueles dias que têm sabor de saudade, construo meu próprio caminho no terreno dos sabores.


Eu que cresci em uma família grande onde toda refeição tinha cárater festivo, perpetuo essa atmosfera em meu próprio lar e faço da minha casa moderna o reduto de encontro dos amigos, familiares, assim como sempre foi na casa de meus pais. Sou festeiro, festivo e adoro agraciar quem eu amo com belezas comestíveis, não só de manjar na lida, mas degustar meus poemas com satisfação e alegria, dentro do mote das palavras consentidas.

MANJARES EM RODA DE CONVERSA: MINHA DOCE ESTRELA DALVA,por João Maria Ludugero

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
MANJARES EM RODA DE CONVERSA: MINHA DOCE ESTRELA DALVA,por João Maria Ludugero

Vive dentro de mim esta mulher estrela Dalva pra vida inteira, apesar de ora ocupar outra seara no andar celeste... Um monte de tanta nostalgia, tanta saudade se espalha pelo interior da minha Várzea das Acácias...
Recordo minha mãe pelos vãos da nossa casa, na sala-de-estar, pelos corredores, com um pé na cozinha. Um não, os dois.

A cozinha era sempre aconchego para o seu desembaraço. 

Era o melhor lugar da casa. Com certeza, o melhor lugar da nossa casa. Palco de inesquecíveis histórias familiares e relicário de aromáticas memórias afetivas. Cozinha e comida de mãe, afago certeiro no coração.

Não é por acaso que sou assíduo ao ambiente dessas lembranças do meu lar. Com sua colher de pau, receitas propícias e uma dose extra de extravagância e imaginação, minha mãe exercia plenamente suas prendas gastronômicas. Em suas panelas tentava replicar momentos eternizados no céu do nosso paladar. Um doce de Mãe!

De posse dos seus apetrechos de forno e fogão, brincava sério, então, de ser a nossa mãe-cozinheira, e vou me lembrando das delícias que ela preparava na cozinha, era como um santuário de encontros em tardes dedicadas à feitura de café torrado e batido no pilão, filtrado no bule em coador de pano, servido com tapiocas, farofas, paçocas, cuscuz de milho-zarolho, torresmos, bolachas e bolos de mandioca, quebra-queixos, puxa-puxas, canjicas, munguzás, cocadas, manjares de coco, pipocas, grudes e coalhadas...etc.

Vou ensaiando uma dança ritmada de gestos elaborados junto com os ingredientes da minha imaginação. Sigo receitas em letras e lavras, mas dou sempre uma pitada da minha personalidade literária.

Minha performance é uma saborosa mistura de tudo que aprendi com a dedicação da minha mãe. Porque cozinhar exige aptidão e muitíssima boa vontade. Sentimento é tudo na hora de preparar um alimento. Assim, a correr dentro, nas lembranças da cozinha lá de casa, meu poema borbulha fumegante enquanto apimento as palavras com originalidade.
Cozinhar é uma prece e uma arte também. É demonstração de amor e é carinho e cafuné no apetite alheio. Receber quem a gente quer bem em uma mesa preparada com capricho é uma linda forma de demonstrar amor.
E comida gostosa agrega família, amigos e tece fraternidade. A melhor maneira de reunir pessoas é com uma comidinha feita com as mãos e com o coração também. Ponto. Disso decorre reuniões acaloradas, com muitas risadas e mescladas com regalos que encantam o paladar e satisfazem o apetite.

Comida antes de tudo tem que ter charme. Apresentação é a palavra chave. É claro que o sabor é imprescindível, mas dizem que nós comemos primeiro com os olhos, e é verdade.

Faço poemas com palavras e alimentos. E sei que estou proporcionando lindas lembranças aos meus filhos, transmitindo a eles o que eu recebi como herança afetiva. Casa alegre é casa cheia, de gente, barulho, plantas, bichos, bagunça, livros e também de mesa sempre posta com delícias apetitosas.
A atividade culinária se ensina principalmente com o exemplo, assim como a leitura, educação e respeito à vida. Receber bem exige carinho, acolhimento e atenção. Eu gosto, e muito. Sempre. E, feito minha mãe, gosto e continuo com um pé na cozinha. Um não, os dois.

Mesmo que seja com entusiasmo, eu aumento a água no feijão e dou corda ao paladar a ensejar a degustação dos meus singelos versos na mesa da prosa e da poesia, numa possante roda de conversa... Ponto. Ainda não, etc...

Vive dentro de mim a eterna estrela: Dona Maria Dalva, minha terna mãe -Eterna mão da doçura. Enxerto do sertão potiguar, descendente dos Pachecos de Angicos e de Santana do Matos. Trabalhadeira. Madrugadeira. Tão corajosa. Bem parideira. Bem criadeira. Seus quatorze filhos, seus tantos netos.
Ora, misturo lembranças, afetos, ervas e temperos. E assim, embalado pelas recordações daqueles dias que têm sabor de saudade, construo meu próprio caminho no terreno dos sabores.

Eu que cresci em uma família grande onde toda refeição tinha cárater festivo, perpetuo essa atmosfera em meu próprio lar e faço da minha casa moderna o reduto de encontro dos amigos, familiares, assim como sempre foi na casa de meus pais. Sou festeiro, festivo e adoro agraciar quem eu amo com belezas comestíveis, não só de manjar na lida, mas degustar meus poemas com satisfação e alegria, dentro do mote das palavras consentidas.

KIRO-ESSÊNCIA EM LUMES, por João Maria Ludugero

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

KIRO-ESSÊNCIA EM LUMES,
por João Maria Ludugero

Vai Kiro, menina-moça-mulher-diva-musa,
Lilás companheira vai assim pra lá de bonita,
Vem espairecer o astuto menino João maduro
Diz que sem ânimo a vida não presta,
E o interior sem a tua beleza vira cinza sem paz,
Por não ser mais assim vasto o chão-de-dentro,
Se a Nova Canaã fica terra-nua e desprovida
Sem tua cantiga a desentristecer num levante
Desde eiras, leiras, cantos e beiras,
De cabo a rabo, sem medo da cuca...

Ah, voa, entretida feito Fênix Kiro-diamante,
Lilás, companheira vai longe em eufóricos perfumes,
Faceira acerta o rumo e os bons ares esbanja
Além do quintal do destemido tô-fraco d'angola.



Me nina dentro da tarde amena com afinco,
Me lusco-ofusca as dores da inquieta lida,
Amor tecendo em tuas asas afoitas agora
O alvorecido canteiro do jasmim-manga,
Fora da essência que dispara solene amar-elo
Do alaranjado crepúsculo até o zás em arrebol
Desde as faiscantes bundas dos vagalumes...