terça-feira, 16 de setembro de 2014

VÁRZEA-RN: MEU INTERIOR, por João Maria Ludugero

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

VÁRZEA-RN: MEU INTERIOR,por João Maria Ludugero

Meu coração é um astuto colibri prateadoDos canteiros puros do jardim do agreste.Um - tem a candura do riacho do Mel,Bebe os néctares, que a seara deu.

O outro - voa bem mais vertente ao Vapor,Pousa de um riso no mulungu em flor de esperanças novas.Vive do mel na crença em São Pedro Apóstolo,Vive do aroma de bons ares a correr pelas quatro bocasAté chegar da Lagoa Comprida ao interior do que se diz amor.


AVÓ DALILA: BONINA EM FLOR, por João Maria Ludugero

 
  
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
AVÓ DALILA: BONINA EM FLOR,por João Maria Ludugero

A beleza da palavra e o candura das florescompunham a riqueza do jardim da minha inesquecível avó Dalila Maria da Conceição.
Pequeno, singelo, simples até, um recanto assim paradisíaco entretido em cantigas de destemidos 'tô-fracos' de guinés ou galinhas-d'angola a esvoaçar além do jardim repleto de jasmim-manga e mulungu em flor.

A casa caiada de pintura desbotada e a bica verde-musgo no quintal entre os louros, ervas-doces, capim-santo, juncos e beldroegas, deixava entreverum buquê de margaridas e o verde como que saído das canas-caianas.

Era lá, perante o desgaste do galinheiro do quintal, que a bonina florescia.
Minha avó Dalila me chamava para me espairecer em vê-la,toda vez em que eu a visitava lá na Várzea das Acácias...

Tenho na memória a imagem de flores e frutos, principalmente mamoeiros, goiabeiras e tomates, próximo ao canteiro de alecrim e manjericão.Mas, os nomes nunca perderam a magia e o encantamento...

Belo mesmo era ouvi-los ditos por ela,quando me pegando pela mão, antes de ir ao açude do Calango, falava:- Venha meu querido João menino medonho, ver o sorriso doceque nos oferece a bonina!

E como era doce e cândido o sorriso da minha amada avó Dalila, minha terna e florescida bonina!