segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

LUZES DE OPALAS, por João Maria Ludugero

 
 
 
 
 
 
 
 
 
LUZES DE OPALAS,
por João Maria Ludugero

Não só de manjar ou cubar a lida,
Mas passeio por uma praia ensolarada,
Onde búzios e conchas de âmbar percorrem
Areias de salobras águas do mar,
Consentida matriz dos meus sentidos
Atentos à tua estrela acordada,
Que me nina ao entardecer ameno
Sem lusco-ofuscar meu ânimo 
Em receber a noite espairecida 
Com o acorde de radiantes estrelas...

Achego-me a Deus neste areal-vida,
Onde as marés rumorejam impactantes
Perto das dunas recém-adormecidas.

Não pressinto nem a vida aquarelada em pedras
Aceito abrir todas as cancelas às amarrações do amor
Avanço dentro e alto pelas cidades-perdidas-fechadas
No limo verde-musgo do velho cimento, emparedado
( Sou, assim, marejado em preciosas opalas)

Lágrimas de felicidade não desertam o sol da lua
Prateando meu interior enluarado a contento
A ofuscar toda cor das opalas do pensamento…
Meus passos repisam as escamas de prata, em avanço,
E eu sobrevoo agarrado às espumas dos ventos de outrora, 
Nas horas derradeiras de alinhados lenços brancos 
De prantos ensopados de adeuses na dança das luzes
Onde ainda soa a cantiga desse bailado louco 
Que não me atiça a dançar sob um chão de areias 
Na ávida temperança de espalhados jasmins,
É que a alegria se manteve em orientes fantásticos 
Em lagos-sem-fim, onde os nenúfares se colorem 
Numa espairecida viagem a acalentar meu coração partido…

Daí teço um poema que mistura a terra com os bons ares 
Do respirar-fogo-na alma das águas da poesia de engenho
À tônica procura de opalas da minha manhosa manhã para renascer,

Dessas alvorecidas que chegam a me assanhar até os pelos da venta!

CABEÇA DE BOI, por João Maria Ludugero

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CABEÇA DE BOI, por João Maria Ludugero

Como em turvas águas salobras 
Na vazante da enchente do rio, 
Eu sinto o boi ao meio submergido 
Depois dos destroços do estio 
Dividido e subdividido em ossos, 
Onde rola à beça, enorme, a cabeça. 

Boi destroncado, boi morto, boi desfeito. 
Verdes juazeiros de paisagem calma, 
Convosco – altas, tão marginais!- 
Fica a alma, a esbaforida calma, 
Atônita para jamais ser afoita na seca,
Pois o corpo, esse se esvai com a vaca desvalida,
Completamente atolada, sem alvoroço. 

Boi morto, vaca morta, bezerro órfão. 
Boi esfacelado, boi descomedido
Boi espantosamente destroçado 
Morto, sem forma ou sentido tal
Ou significado. O que foi na lida,
Ninguém sabe. Agora é boi morto, 
Boi desatinado, boi arrebatado, boi desvalido
Boi do adeus sem grito de alerta, despojado,
Insosso de ponta à cabeça, eiras e beiras...

SIGNO E SIGNIFICADO DO QUE FICA, por João Maria Ludugero

 
 
 
 
 
 
 SIGNO E SIGNIFICADO DO QUE FICA,

por João Maria Ludugero

A vida é um momento, 
É um sopro a escorrer 
De dentro pra fora...
De fora pra dentro
Signo e significado, 
Sorte na lida com afinco,
A gente só leva daqui, 
O Amor que deu e recebeu, 
A alegria, o carinho e mais nada.
Até os raros e preciosos diamantes ficam...