segunda-feira, 27 de agosto de 2012

TIC-TAC, por João Maria Ludugero

Do relógio que me deste 
Soltou-se um cavalo
Sem rédeas, ele ora passeia 
Pela loucura das horas acesas
Salta ponteiro meio dia a dia
Enquanto bate a pino 
Todo santo dia inteiro.
Até deu de acordar meus olhos mais cedo,
 No desespero de perder as horas e a ideia.
Num átimo de segundo, de pronto 
Temo que ele se queixe, se avexe
E, saudoso da sua toada de costume, dispare
Retardando a catraca do tempo em desatino.
Quiçá ele volte a ser um cavalo que se preste 
A tempo de se mostrar partido ao meio
Sem ficar prostrado na lida, a pastar 
Sem escoras nem eiras, sem esporas
Bem na beira da represa 
Das águas verdes-musgo
Do açude do Calango, 
A 'tictaquear' o destino 
Que lhe ponteia.