terça-feira, 14 de agosto de 2012

CORAÇÃO PARTIDO, por João Maria Ludugero


Eu só sei 
Sou seu cio 
Sou calor 
Sou arrepio 
Sou seu ócio
Sou seu sócio
Na dor e no prazer.
Mas se partes de mim, 
Meu coração 
Vira copos,
Vira cacos
Vira caos, 
Debanda 
Deserta
Definha
Desata
Desanda
Dispara...
Cada passo,
Cada/falso
Muda-se de cor,
Incomodado, se esvai 
Movediço assim 
A partir do desvão!

VÁRZEA: LENDA DA PAIXÃO, por João Maria Ludugero


Do Vapor observo 
O sol mergulhando no rio
E o Joca se lança 
Onde a vista alcança.
Vejo minha modesta casa 
Que fica lá em Várzea, 
Terra de Bita Mulato, anarriê! 
E das tisnas, espelhos, fitas e brilhos
De Mateus Joca Chico, ê boi da cara preta!
Seara de luz onde a liberdade me orienta,
Onde o horizonte beira o céu da paisagem 
De um eterno verão da poesia que invento 
Feita de andorinhas nunca sós a me levar,
Posto da lenda do carro encantado 
Ao luar do agreste
Donde pulsa a cantiga 
Que alavanca a paixão
Que aboia os anseios pelas quatro bocas
Que perambula pela rua das pedras
E ganha a rua grande de outrora, 
Sob as pegadas da mulher que chorava,
Mas agora sorri satisfeita, de flor no cabelo,
Faceira ronda a praça de encontro ao tempo
E encanta este amante poeta varzeano 
De pêlo nas ventas,
Que passa de relance 
A assanhar as tranças 
Das pastorinhas de Joaquim Rosendo,
Encarnando cordão da cor da alegria, 
Que tange a tristeza da vida dessa gente
Que ainda acredita na força da lida
Que canta seus versos infestados 
De amor e de esperança!