sábado, 15 de março de 2014

PreserVARZEAção, por João Maria Ludugero

PreserVARZEAção,
por João Maria Ludugero

No chão da minha seara,
Da reza faço cantiga
Até plantei um amor
Desses que crescem
Se enraízam nos leirões
Feito manivas e ramas
Que se alastram no paul
Viram logo mandiocas
Viram doces batatas,
Que afloram abrindo a terra
Até plantei milho, melão
Quiabo, jerimuns e gergelim.
Semeei maxixe, melancia e feijão
Das mais diversas espécies.
A ramada cobriu tudo de verde
E a mão de Deus ajudou
Mandando chuva e invernada
Em prol de irrigar, florir o agreste
E a fartura foi tamanha!
Que mais parecia milagre
Na minha Várzea da sorte,
Minha terra prometida,
Banhada pelo Joca,
Rio de água salobra, mas
Tem um riacho que o mel adoça,
Tem um Riachão do meu amor
Eu rezo na forma desses rosários
Os terços da minha sina,
Replanto minhas esperanças
Sou poeta varzeano,
Neto de Dona Dalila,
Mãe de Odilon Ludugero.
Meus olhos seguem vertentes,
Minam feito água de cacimba
Rimo com maracujá
Meus olhos d'água a chorar.
Mas é de felicidade
Quando falo em meu lugar
Rimo com Itapacurá
Minha alegria nunca finda
Acendo as lamparinas
Do festivo Mateus Joca Chico
Numa saudade a bumbar
E boi do destino que ora passo a tanger
No vão de velho Vapor de Zuquinha,
Sob 'quilaros' de candeeiros e estrelas,
É um lume não vago que se chama amor
Que renasce dessa singular poesia
Nos versos que eu tento caiar, e consigo,
Pois eles saem direto do meu coração sonhador.
Punhal, punhado de rimas
Que o vento sabe levar,
Dando espaço ao tempo
Nas voltas que a vida dá.
Saudade da minha Várzea,
Como ficar sem senti-la,
Eu versejo e juro a ti
Num modo de te en/cantar,
Nunca vou te esquecer, asseguro,
Eu prometo, minha pequena
Enquanto o mundo girar,
Estarei perto de ti, mesmo longe,
Mesmo estando em Brasília!