domingo, 28 de outubro de 2012

DANADICES E BRABULETAS, por João Maria Ludugero


Que tal passarmos sebo nas canelas
Sairmos pela Várzea a dentro 
Seguirmos juntos quais crianças peraltas
Fazendo pelo mundo danadice,
E tudo que se diz que é medonho...
Eu bem apanhado de calças curtas, 
Já de pelo nas ventas, 
Tu de cabeça feita a pensar 
fazendo bichos nas nuvens esfiapadas 
Com brabuleta azul de plástico
No cabelo açoitado pelo vento afoito. 
Que tal acendermos juntos vaga-lumes,
E voar com as brabuletas lindas, cintilantes,
Com suas asas leves, coloridas,
Correndo soltos pela tarde agreste...
Poder correr, amar, chorar, 
E até berrar com as cabras e cabritos,
Sem se importar se é certo ou loucura...
Furtar lá do vizinho belas e rosadas romãs!
Fazer cantigas de improviso, enamorados
Perder-se entre as frutas bicadas do pomar
Sentir-se um magote de pássaros 
a gorjear na tarde amena,
Achar-se na mágica de brincar, 
Sem quebrar a fantasia e o encanto
Tais quais moleques cheios de algaravias,
Levando a sério esse brincar incansável 
que nunca envelhece  a alma da gente, como agora!