sábado, 30 de abril de 2011

Grã-mestra vida em flor















Autor: João Maria Ludugero

A flor me colheu
Me entortou a face
Deu-me um beijo
A bem-me-querer.
Girou meu rosto ao sol
Na pureza de sua claridade.
A flor abriu-se grã-mestra, 
Extremamente bonita
Pra tirar do acervo
Sua eterna fantasia-girassol
E vivê-la num único instante,
A apreender  meus olhos exultantes
E assim mantê-los na verdade
Ao se rasgar em pétalas, cor e cheiros,
Exaurindo-se em perfumes ao morrer.
É assim que ela contém a beleza em flor.
É assim minha flor vestida
Em amarela borboleta!
Obrigado, meu amor, quanta poesia
Posso ler nestas pétalas efêmeras!
Quando até de costas
Posso ver exposta tua verdade,
Claramente sem embargos,
Como aquela flor
Que permanece no altar-mor 
Da inspiração que fica alumiada
Eternamente estranha e bela,
Até à luz de velas.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

“Pra que Orar se Deus esta no controle de tudo?!”

Por: Rosamaria Roma

A oração não é pedir.
É um anseio da alma.
Trata-se de um diário de admissão de fraqueza.
É melhor na oração ter um coração sem palavras
Que palavras sem um coração.


Todos os dias Deus nos dá um momento
Em que é possível mudar tudo que nos deixa infelizes.
O instante mágico
É o momento em que um "sim" ou um "não"
Pode mudar toda a nossa existência...
E assim vivemos, sobrevivemos, renascemos!
Paulo Coelho


Bom dia amigos!
Bom dia Sil!

Um beijo
Boa sexta-feira!

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Sete chaves

Por: @_thewell .




Tranquei minha vida em um quarto 
qualquer.
Em um tempo 
qualquer.
Ficaram retidas as lembranças
da vida.
Os sonhos de criança,
a namorada querida.
Os amigos, os brinquedos, a escola.
As corridas e o jogo de bola.
Coisa engraçada e coisa ousada.
A saia da menina.
A cintura fina.
O beijo primevo, a transa desastrada.

Ficou aprisionado o que eu seria,
se um dia crescesse.

Cresci!
Perdi todas as chaves desse quarto.
Eram sete.
E as perdi!

Mas a do outro quarto,
o da dúvida, dor e desilusão,
essa não perdi.

Era uma só.
E a tenho aqui comigo.
Acorrentada a meus pesadelos!


(The Well)

terça-feira, 26 de abril de 2011

A canção da morte

Por: Paulo Diesel


Cantaram
a canção da morte,
entrando em parafuso,
sentando nos nós da corda
que apodrecia em meio
às madeiras do cais,
cheio de navios
com porões
de escravos negros, brancos, escravos.
Morreram podres, escravos
dos navios que aportaram no cais
com madeiras amarradas à cordas
parafusadas à canção.


A morte canta a sua...

domingo, 24 de abril de 2011

Estação

Por: Fernanda Villas-Boas


Parei na estação, cabelos ao vento, vestido esvoaçante, meio desnorteada com tantas vozes. Trago na mala meus amores, minha fé, sorrisos, doces, frutas e quintais. Ainda uns cacarecos que não consegui deixar: fotos, telefonemas, músicas, brincadeiras de roda, banquinhos e um raio de sol teimoso que insistiu em me acompanhar.



Pessoas passam ligeiras, rostos sérios e passos apressados. Penso em lhes oferecer um café – sim, nos cacarecos ainda coloquei o velho bule amassado, o pote de biscoitos e a toalha de xadrez - mas não há tempo, devem ter coisas mais importantes para fazer.

De longe, soa o apito que anuncia lágrimas e sorrisos, chegadas e partidas. O trem vai parando devagar, cuspindo fumaça e barulho.

Apressada, junto tudo e embarco. Encosto a cabeça na janela, aliviada e ansiosa pelo próximo destino. Qual será?

Não sei, não importa...Tudo o que importa já está comigo.

Publicado em:  http://potedepalavras.blogspot.com/

sábado, 23 de abril de 2011

O Jardim das Onze-horas

Autor: João Maria Ludugero


Momentos há na vida que a gente nunca esquece,
Mormente aqueles bem guardados no interior.
Recordo-me do sítio de seu Zé Canindé,
Onde ele tinha uma casinha caiada
De portas e janelas azuis,
Um jardim de girassóis a onze-horas,
Um curral e uma casa de farinha de mandioca.
Parece besteira lembrar dessas rusticidades.
Podendo até, para alguns, isso soar piegas,
Mas ainda guardo comigo o privilégio
De tê-las vivido, e ora poder ter o prazer
De acentuá-las ao escrevinhar esta poesia
Assim tão repleta dessas coisas simples 
E suas pobrezinhas essenciais
A recender os aromas da terra
Junto ao canto do curió nos galhos em flor.
Assim, saudoso, reinvento meus passos,
Sob o escaldante sol da minha Várzea, 
Como quem evapora de mansinho seus longes
Junto aos cheiros da casa-de-farinha
Pelos confins da estradinha de chão,
Que só era cortada pelo rio Salgado,
Riacho de águas tão mornas,
Cheinho de piabas e jacundás.
E lá íamos eu e minha avó Dalila
Que me levava à travessia do rio,
Muitas vezes montado em pêlo no lombo de um jegue.
E, como num toque de mágica, num piscar de olhos,
Aparecia um magote de moleques.
E o banho de costume logo se transformava numa festa,
Onde a gente lavava a alma, digo a potra. Arre égua!
E era assim sempre que buscávamos os bisacos de farinha
De mandioca, beijus, tapiocas e batata-doce.
E, de tal sorte, toda vez que escuto esses cheiros e ruídos,
Eu me ajeito num cantinho a ruminar, e matuto, sim,
Me apanho a escrever sem me 'pre-ocupar' com as rimas.
Sinto-me tal qual aquele menino travesso de outrora, 
Empolgado que só vendo, a contemplar o jeito de mato
Da minha acanhada prima Vera, afilhada do velho Zé Canindé
(Cá pra nós, mas lá todo mundo era primo da gente,
Alegava meu pai, mesmo que não houvesse laços.
E ficava por isso o vínculo, o parentesco,
mesmo sem nunca ter sido). 
E agora, confesso aqui com todas as possíveis letras,  
Que me sinto o mais rico dos homens,
Porque ainda posso escutar o curió
E outros passarinhos a cantar e, até me atrevo, 
A sentir, e sinto, um exalar de manjeronas e alecrim,
Ao colocar um pé naquele tempo fantástico,
Ainda encantado a tocar minha mão buliçosa
No corpo daquela moça de sorriso maroto,
Que me enlevava na colheita dos ovos.
E como era bom brincar com as galinhas!
Ora, ora, não há como dizer com palavras
Como havia doçura no semblante daquela donzela.
Como eu queria seus braços, seu jeito, sua boca.
Como não posso voltar ao passado, insisto,  
Em deixar a saudade falar nos meus versos. E ponto.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Verdadeiro Sentido da Páscoa

Por : Rosamaria Roma


Que essa Páscoa não seja apenas o almoço em família.
A brincadeira gostosa de esconder os ovos de chocolate.
E ver a alegria das crianças quando encontram...

Que não seja também a tristeza daqueles que vão estar sozinhos
Ou dos que não podem comemorar com festas e chocolates...
Ou até daqueles que estão doentes e sem esperanças...

Que nesse dia todos tenham capacidade de entender o Verdadeiro sentido da Páscoa.

Que seja renovada em cada um a fé, a esperança,
A capacidade de recomeçar, de perdoar, de respeitar o próximo, 
De pelo menos se esforçar para viver em harmonia e equilíbrio.

Sil e amigos!
Uma feliz Páscoa!
Beijos doces!

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Vidas secas

Por: @_thewell .



a vida completa seu ciclo
as flores se destacam
passageiras
as folhas caem
fertilizando
o solo
revelando
a face verdadeira das árvores
desmascarando
a persona
exibindo
a nudez
revelando
a insensatez
um futuro que não foi
e mesmo assim se renova.
 
The Well




terça-feira, 19 de abril de 2011

Comemorações

Hoje comemoro duas data especiais:
O primeiro ano do meu Blog

E
O aniversário da Tatiana Kielberman  

Feliz Aniversário Tati
Estrelinha

Que você brilhe infinitamente pra mim através da nossa amizade.
Bjusss
Sil

A cadeira vazia

Por: Paulo Diesel 



Se a cadeira estava parada no canto da sala vazia era por algum motivo. Só ela, mais nada. Nada ao redor, nem mesa, nem estofado, nem estante, nem tapete, aó ela, a cadeira em frente a janela aberta, como que a imaginar o movimento das folhas da jabuticabeira lá fora, o cachorro que corre atrás da bola jogada pelo Pedrinho, a colheitadeira mais ao longe, conduzida pelo João, no milharal, o trem movido a vapor que apitava bem distante e se arrastava morro acima sobre os trilhos da ferrovia, as nuvens escuras que anunciavam o cair da tarde. A cadeira vazia que permanecia imóvel naquela sala sentia-se solitária, pois a pouco a casa era repleta de móveis, de pessoas, de sons que misturavam-se e completavam-se. A cadeira testemunhou muitos diálogos, muitas negociações, muitas brigas e reconciliações e brigas e reconciliações e brigas definitivas. Talvez tenha sido este o motivo: testemunha ocular, abrigo de um e de outro, ombro amigo no choro do desespero, da indignação, da esperança e da separação total. Primeiro foi-se o João naquele Opala Comodoro preto em que de longe ouvia-se o uivar do cão e via-se o olhar tristonho de quem percebeu toda a situação, depois ela, levando consigo Pedrinho, o pen drive com as músicas e fotos de toda história e os CD’s dos Beatles que sempre escutavam. A casa por meses ficou fechada, sem sons, sem gritos de crianças, sem cão correndo, sem pessoas. No jardim as flores que ela cuidava morreram todas, talvez de solidão, talvez de saudades. No pomar as frutas caídas ao chão e os milhos colhidos pelo pessoal da Associação. Dia após dia via-se o abandono por todos os lados, até que o caminhão da transportadora carregou tudo: o quarto, os móveis da sala, as tv’s, o estofado, os vasos com flores, os quadros… A cadeira permanecia, ali, vazia e solitária, testemunha e cúmplice (sem culpa) de fatos e atos que, talvez, se repetirão assim que a propriedade rural for vendida e outros, homens, mulheres, crianças, vivenciem tudo novamente. Se a cadeira estava parada em frente a janela, no canto ou no meio da sala, deve ser por algum motivo.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

João e Maria

   Por: SIl Villas-Boas 

O que restará das sensações
que nunca poderão ser experimentadas?

Ele e Ela

Ele, Perdido

Ela, sem se achar

Acharam-se...


Ele, Arredio

Ela, Contente
  
Ela, em Festa

Ele, Ausente

Chocaram-se...

   
Ela, Tempestade
   
Ela, Saudade
   
Ele, cansaço
  
Ele, mormaço

Calaram-se...

  
Ele, Emudecer
     
Ela, Tristeza

Ele, Frieza

Ela, Querer

Ilharam-se...

   
Ele, Anoitecido
  
Ela, Sem Sol no Olhar

Ela e não Ele

Ela sem Ele sem Ela

Perderam-se...   

Quando

Por: Fernanda Villas-Boas 


Quando o dia transbordar cheio de luz
e a noite cintilar com suas cores
os amores em fantasias se reluz
e a luz ofuscará todas as flores

Quando o tempo transbordar noites e dias

e o futuro chegar inesperado
o passado lembraras com nostalgia
e as poesias estarão sempre ao teu lado

Quando os jardins transbordar cheio de flores
em outros campos encontrares só espinhos
são os ninhos de corações sofredores
são poetas procurando seus caminhos

(Mario Quintana)

Postado em http://potedepalavras.blogspot.com/

domingo, 17 de abril de 2011

VAZIO

  ...
Por: Coisasdelouco



Choque...

Foi isso...
Entrei em choque!
Queria contar para vocês; mas como contar, se estava ainda em choque?
Queria escrever, e simplesmente não conseguia!
Ai, fiz o seguinte exercício: arregalei bem os olhos... Bem mesmo. Sei que diante deles há todo um mundão, milhares e milhares de coisas, e minúsculos detalhes... Por meus ouvidos entram, a todo o momento, todo o tipo de merda audível, algumas, não posso negar, são até bem carinhosas, mas, merdas! Em choque nada parece significar nada mesmo.
Mas, Vamos ver se transformo isso em algo mais palpável...

Parece que de repente me transformei em um móvel velho... E, esse agora se infestou de cupim... É, deu cupim em mim! Estou me desfazendo...

Desfazer! Que bela palavra! (des)fazer! Era feita, agora me (des)faço! Me (des)fazem! É isso! Qualquer dia, simplesmente (des)apareço! Não porque fui embora, porque desisti... Não! Simplesmente porque sucumbi... Esvaziei! Esvazie de vez mesmo! Os cupins... Os cupins tão pequenos... Criaturinhas tão insignificantes, mas de tantos que eram a me corroer por dentro, pluft! Me (des)fizeram!

Não importa!

Arregalei bem os olhos até que ardessem... Senti mesmo que avermelharam, senti as lágrimas que os umedeceram... Queria sentir meus olhos tentando se olharem... Tentando imaginarem o próprio olhar... Queria o flerte dos meus olhos! Não, não queria o espelho! Sei que o espelho me daria o oposto do que queria, o oposto do próprio flerte...

Sabem o que percebi neste esforço?
Nada!
Nada mesmo!

Me perdi, Me afoguei nas mágoas e águas em que tanto nadei nesses dias, dias que pareciam não mais acabar... Tudo era só um dilúvio que transbordava... Dias em que meus olhos como duas minas ou lençóis deixavam fluir incansavelmente as águas que minha alma ainda tenta justificar... Purificar... Perpetuar!

Mas, para que explicar... Deixa a emoção transbordar... Deixa chorar... Só recolhe o sal...
Quem sabe, tempere ainda sua carne tão sem sabor... Sem cor...
Recolha sim o sal... Quem sabe algum desavisado nele até pode escorregar e também se machucar...

Estes olhos que agora arregalo, como aqueles que crianças famintas trazem, foram minas, rios e mares que transbordaram, concretizaram em águas tanta dor que não sei quantas ave-marias seriam necessárias para calar tamanha aflição, desamor, frustração...Queria mesmo era partir... Desistir! Haverá talvez uma quantidade limite de águas a transbordar?

E o choque foi convertido em água! Água benta? Não, claro que não, pecadora que sou... Água magoada! Água maldita! Daquelas de jogar na privada e dar descarga... Daquela de ninguém por a mão que talvez pegue a má sorte...

Choque! E nada escrevi... Chorei!
Mas, agora estou escrevendo, não estou! Arregalei os olhos, e agora eles só ardem... Já Passou!
Agora, estão secos, secos feito o nordeste, como o nordeste de Severinos e Marias... E não é a toa que sou também Maria... Maria vazia, como as barrigas de Severinos, como àquele moço, Severino também, descrito em poema tão bonito por aquela alma tão bonita de poeta de alma cheia e bendita...

Maria vazia e malas cheias e (re)feitas... Alma corroída de novo dolorida. Malas feitas... Alma quase pronta... Se (re)fazendo... Almas se (re)fazem! Quando não, no choque, se perdem para sempre... Talvez as almas penadas que tanto se falam por aí... Não sejam as almas de mortos rebeldes... Talvez apenas de vivos em choque! Zumbis!

Enfim, malas prontas, alma quase (re)feita... E em outro porto serão (des)feitas e (re)feitas mesmo que nunca (per)feitas!
Alma rapariga... Alma dependente de um corpo carente... Talvez dois...
Olhar bem arregalado que percorre paredes vazias...

Mas, cadê essa alma vagabunda corroída? Eu a sinto, mas não a vejo...
Há um silêncio imenso dentro de mim... Mas um silêncio tão grande que incomoda tanto que parece querer gritar...
Será que grita ainda?
Será que gritará algum dia?

Quem será que dará a bofetada que me fará respirar novamente?
Quem me ressuscitará?

Será o silêncio mudo?!

...

sábado, 16 de abril de 2011

Num Pau-de-Sebo Escorrega Muita Gente...

Autor: João Maria Ludugero

Na frente da igreja-matriz
De São Pedro apóstolo
Lá na minha Várzea
Foi montado um pau-de-sebo.
Lá está ele possante, majestoso, 
Liso a brilhar sob o sol radiante.
Quase todo mundo, solteiro, casado,
Amasiado, amigado, mancebado
Quer nele trepar, provar fôlego,
Não só pra ter mão da grana, do prêmio
Chamariz afixado bem lá nas alturas,
Mas pra chegar, se mostrar valente
Bem no topo do pau ensebado.
Até Maria Pereira está afoita em participar,
Mas cheia de pudores, acanhada que só vendo,
Tem vergonha de não dar conta do recado
E escorregar a meio pau. Que vexame!
Seria muita pagação de mico,
Depois virar motivo de chacota,
Ficar falada às quatro bocas da rua grande
Ou ganhar o apelido de Maria mole,
Por não ter conseguido seu intento.
Sem contar que nunca nenhuma mulher
Se sujeitou sequer tentar a subida em público
No lustroso pau-de-sebo da quermesse.
Ela seria a primeira dama à altura do pau.
Maria matutou, matutou. E não mais titubeou.
Justo ela  que sempre foi pau pra toda obra.
Se inscreveu, entrou na fila
Pra encarar o engraxado pau da hora.
Maria é doida varrida, não é boa da bola.
Vai cair de boca no sebo, ficar toda molhada
De suor, escorrer no pau, se esborrachar toda no chão.
Vozes estridentes gritam, em uníssono: 
Sai daí, Maria-homem, sua louca,
Vai procurar uma lavagem de roupa
Ou raspar uma quenga de cocada,
Ou rezar a ladainha lá com as outras.
Não vês que isso é obra de macho?
Maria faz vista grossa e ouvidos moucos
E vai à luta, fazendo de conta que não é com ela.
Marmanjo nenhum, mesmo polvilhado de talco
E quilos de araruta, consegue passar do meio mastro
(Ser bom de bolas não é tudo).
E chega a vez da Maria, que não foi com as outras.
Ela, esperta, logo se lembra de que há muito tinha a manha
De trepar em pé de pau (aprendeu cedo na lida
Quando apanhava frutas no quintal).
E que, para viabilizar a subida, não usava peias
Nem aqueloutros apetrechos pra subir em pés de coco.
Ela usava sim o visgo da jaca. Acredite, não estou inventando. 
E subia embalada até nos mais lodosos lenhos.
Não deu outra, caladinha assim procedeu.
Subiu o madeiro numa única levada. Virgem santa!
Maria não brecou, num jogo de corpo e tronco
Galgou seu medo de escapulir. Na marra,
Segurou o pau com toda força, destemida, a pique
Agarrou-se na estaca e... Venceu. Mais pau que fosse!
Mesmo incrédulo, o povo ridente aplaudiu à beça,
Quando ela feliz atingiu o seu cume, chorando de alegria
Pela vitória que calou a boca de muita gente,
Que só sabe covardemente meter o pau, gastar saliva,
Feito lesma a se arrastar pelos muros alheios, e morrer seca,
Que já nasce fadada ao fracasso e morre na beira.
Valeu, Maria! O mérito é todo seu. Soubeste mostrar
Que nem todo pau-de-sebo é coisa de cabra macho.
Que venham outros paus, outros sebos, outros páreos.
Tudo pode virar toquinho nas mãos dessa mulher.
Maria Pereira da Silva não está nem aí pro menoscabo
Nem pro seu mais novo sobrenome, nova alcunha. 
Até se orgulha do codinome:
Maria Machadão!

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Rosa por Rosa

Por: Rosamaria Roma

Assim
Moça
Menina
Mulher
Sem razão
Sem medo
Sem pensar no amor
Perdida no tempo
Surpreendida consigo mesma
Em sonhos improváveis
Em desejos inconfessáveis
Em devaneios
Em deslizes
Apenas assim...
Moça
Menina
Mulher



Ontem fiz mais uma primavera
Foi um dia ótimo
Mais que feliz!
É sempre bom saber o quanto somos especiais!

Bom final de semana, amigos!
Beijos doces