sábado, 20 de agosto de 2011

DE SOSLAIO, UM POEMA À PUTA VIDA!

Autor: João Ludugero

Ainda não beira o anoitecer,
Mas já estais lá a rodar tuas alças 
A mirar os passantes da corte, de soslaio,
Quando jogas teu corpo desnudo, de salto alto,
E a alma sem ti, de pano de fundo
Perpassa entre o cetim encarnado
E o meio-fio da rua
De uma esquina de bar
Entre vitrines, néons e o barulho dos carros
A derrapar nas curvas sinuosas
pelas vias de paralelepípedos,
Só para espreitar tuas perfumadas tetas.
E lá estais a carregar teus fardos,
A rodar a bolsa ao pulso de desafiar a sorte
E nem sabes mais que cor teriam teus sonhos,
Posto que varas madrugadas a dentro, 
Sem mais notares que ainda há uma lua no céu
Quando submissa, triste e solitária
Retornas a ti, após tentares vender amor,
E recebes a paga, em troca,
Após teres sido possuída por um 'solidário'
Que teu rosto beija como a uma estátua.  
Abraça-te a nudez e simplesmente
Feito um cachorro no cio te lambe toda até o sapato,
De frente e verso, a fundo te ama, abusa,
Te faz de gata e o diabo a quatro por dois ou mais,  
Te usa e lambuza, e até reclamas de consolo
Ao te acusar de que poderias ser menos santa,   
Depois vai embora sem olhar pra trás!