quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

ENQUANTO ISSO, A SUA BATATA TÁ ASSANDO, por João Maria Ludugero

Quando é tempo de colher raízes,
Sinto no ar o cheiro de batata quente , 
Que adocica a minha alma carente. 
Entre batatas e versos, transito ariscos 
Com a doce inspiração de uma poesia... 
Escavo a terra num jeito 
De arrancar batatas... 
Escrevo um poema 
Que me contenta a tempo 
Ao sabor de uma batata roxa assada,
Alimento-me a colher o dia, confesso
É a poesia o meu melhor encanta ventos. 
Revolvo a terra, resolvo problemas, 
Entrementes batatas e poesias, 
Traço um prato de babau,
De onde retiro minhas energias! 
Entre batatas e poemas ... vou vivendo, 
Vou filmando a lida, 
Vou roubando a cena, 
Vou dando forma 
A versos singelos à risca
Com as minhas penas, sem ceras.

domingo, 16 de dezembro de 2012

O ALUNO, por João Maria Ludugero


Quero da vida muito pouco,
quero apenas ser muito louco
aprendiz dentro das coisas simples.
Longe do amor sem fim me aproximo,
vivo os cinzas do terno outono,
me agarro com toda força na promessa
que me cobre em teu agasalho de inverno
e já sei de cor e salteado 
como virão outros verões.
Adentro no teu peito satisfeito aluno a desenhar
mergulhado nos teus olhos de primavera.
Não careço aprender sem teus olhos.
Não quero ser… 
sem que me espies.
Dou a mão à palmatória, 
ajoelho no milho,
Mas não abro mão 
daquela lição de cada dia
que só teu olhar me dita, por fim
desobedeço toda compostura,
quebro protocolos, de súbito, 
só pra que continues me olhando,
como quem ousa me ninar a escrever 
no quadro interior do meu peito.

À FLOR DA PELE, por João Maria Ludugero

À flor de tua pele 
reinvento perfumes.
Nela me embrenho 
até entrar em êxtase. 
Nada é mais luminoso 
do que o pavio 
da lamparina
que acende tua luz, 
e me encandeia.

sábado, 15 de dezembro de 2012

FEITIÇO DE MARIPOSAS, por João Maria Ludugero


Mariposas
esvoaçam sob a luz
à procura de orgia
num ritual de orgasmo e feitiço
com jeito de Maria-vai-com-os-outros.
Mariposas assanhadas,
sacudidas ao brilho
esvoaçam a soltar purpurina,
à cata de matar a sede 
sob o rescender inocente
dos jasmins-manga.
Borboletas azuis cruzam 
à penumbra 
feito meretrizes ensandecidas,
que sentenciadas 
fazem programa de mérito
no jardim do juízo, por fim,
expostas ao trânsito em julgado
sob a sanha de colibris afoitos, 
tão promíscuos,
que adejam sobre rosas,
sugam margaridas e orquídeas, 
quase sempre vivas,
beijam marias-sem-vergonha.
E todo santo dia no éden é assim:
Um canjerê de damas-da-noite
nesse banho de prata sob a lua
que toma conta do meu jardim.

MÃE: TERNA PRESENÇA, por João Maria Ludugero


Minha Mãe, doce e eterna presença,
A Senhora sempre estará comigo, 
acordado ou dormindo sinto teu perfume,
teu amor solene a bater no meu peito...
E sempre entras porque não precisas pedir licença.
No burburinho do dia-a-dia, 
no chamamento da lida,
diante da mesa farta, nas horas de lágrimas
nos momentos felizes, no sorriso aberto,
no café da manhã, na poesia do papel de pão,
na luz da prece, na proteção de cabeça,
a Senhora está do meu lado, anjo guardião da noite.
E o medo não existe e não há solidão.
A Senhora me acalma onde os olhos anseiam
E tua terna presença aquece naturalmente 
como acontece num retorno de mãe... 
E a dor logo desaparece com um beijo teu
e o sono logo vem...
Ó, bendita Senhora, mesmo sabendo
que não mais vais voltar, nunca deixo
que me abandones o coração partido.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

A CRUZ DO RIO, por João Maria Ludugero


E lá está a cruz do rio,
sozinha na entrada da rua do arame.
Na solidão vive dia e noite, 
depois de tantos sóis,
depois de tantas luas.
Esquecida do mundo, 
só lembrada quando alguém que por lá
passe e pare faça o sinal da cruz,
levando um buquê de flores,
uma oração, uma prece a favor.
Quando o dia finda 
e a noite vem baixando 
na Várzea das Acácias,
lá pras bandas do rio Joca, 
onde a cruz foi erguida, 
canário-de-chão solitário 
canta e dança
ao redor da capelinha, 
deixando lindo o cenário.
Ao lusco-fusco, na penumbra das moitas,
piscam pirilampos ou vaga-lumes,
como que a encantar o vento 
que sopra dentro da tarde amena 
pelo ermo dos campos do Vapor 
brincando e beijando a cruz do rio da cruz.

'TAMOS DE OVÁRIO CHEIO DE VIOLÊNCIA', por João Maria Ludugero


Quando ela nasceu, levou tapas da vida.
Logo se pegou aos berros. 
Valéria aprendeu desde cedo a não ter infância.
Acendeu cigarro e não se engasgou nas tragadas.
Sob os olhos vermelhos da mãe desnaturada  
ignorava os malefícios do vício 
e precoce já pitava seus fumos.
Valéria se criou na rua, abandonada
aprendeu a se quebrar no crack, 
inalando seus frascos de cola 
ali mesmo sob o concreto armado 
do Teatro Nacional de Brasília.
Seu tio a levou pelo braço 
pra rodoviária do Plano Piloto.
Seu tio bebeu com ela toda uma garrafa 
de uísque do Paraguai.
Valéria foi estuprada e acordou grávida 
aos 12 anos de idade.
O que a vida não ensinou à Valéria?
A pensar e questionar sua sorte,
Ou só a impôs em  continuar 
de ovário cheio de violência?

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

DE CORPO E ALMA, por João Maria Ludugero

Há dias em que me sinto nu, 
coberto de razão, 
Mais por dentro que por fora.
Não careço de palco 
nem roubo a cena. 
Longe de ser cabotino, 
renasço das cinzas das palavras 
que encantam ventos e tintas
de versos que uivam arteiros,
que surgem do interior a me despir,
a me mudar de penas, 
sem dó nem rimas.
Daí me entrego a pousar no papel
sem resguardo à dor, alma penada.
Porque a vida só se renova 
pra quem se doou 
pra quem se doeu
pra quem morreu de amor,
e a si reiterou em espírito 
a encostar no corpo nu,
num sopro em carne viva.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

DONA ZEFINHA, A BONEQUEIRA, por João Maria Ludugero


Dona Zefinha é uma mulher feita 
de fragmentos de vida.
Viceja versos em poemas 
que faz a si mesma ou para ninguém.
Reinventa romances entre personagens 
criados com suas bonecas de pano, 
mistura cores, cantigas de ninar, sorrisos e silêncio. 
Não tem consciência de sua pequenez diante da imensidão. 
Nem se preocupa em saber acerca disso. É feliz em sua humildade.
Solidão? Nunca sentiu. Nem mesmo depois dos três maridos, 
dos quais a vida deu cabo, tudo a seu tempo. Deus os levou.
E seus três filhos, estes ganharam o mundo e não olharam para trás.
Filhos de chocadeira, nem lhe dão sinal de vida. 
Para ela não passam de mortos vivos. 
Mesmo assim, não se incomoda,
não reclama da sorte. Não se sabe só, 
vive cercada de bonecas de pano. 
Abre o olhar diante de uma vastidão 
de possibilidades num amanhecer.
Trata de decantar, filtra 
e destila vertigens extasiada apenas 
com as estampas sob tecidos variados. 
Uma mulher de retalhos. 
Dona zefinha vai completar 81 anos, 
saudável lúcida, leva as tardes amenas da eternidade 
a costurar suas bonecas de pano... 
e ainda sorri, banguela, mas resignada, 
pois não queria outra vida viver 
que fosse diferente. Vestida de chita, 
com cheiro de alma de flor e alfazema, 
sente-se rica, tão modesta em seus aposentos, 
sem fazer conta das bonecas de pano, 
que vende a R$1,00 a unidade 
aos curiosos que a visitam 
em sua casinha caiada de branco 
de chão encarnado de cimento queimado, 
no alto da Várzea das Acácias, 
situada na rua das pedras, 
com acesso às quatro bocas, s/nº.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

MARIA-QUE-NÃO-VAI-COM-AS-OUTRAS, por João Maria Ludugero



Quando ela nasceu, 
vingou tão miúda 
que até se achava não ir muito longe.
Canelas finas, patativa baleada, 
mau feitio, mas parecia uma sebite. 
Foi tomando jeito, 
mesmo com cara de tô-fraco-de-angola. 
Franzina, ninguém dava nada por ela, 
um arremedo de gente, pele e osso. 
Foi crescendo meio que desengonçada, 
menina trombuda, ganhava todas 
jogando bilocas com os meninos. 
Desaforo nunca levou pra casa. 
Nariz empinado. Dona de si. 
Dura na queda de braço.
Não a tirassem para briga, 
era a mesma coisa de fazê-la 
correr dentro da arenga. 
E o tapa comia um dobrado. 
Quebrava o coco e ainda raspava a quenga. 
Nunca chegou em casa apanhada. 
Era mais fácil fazer um galo no cocuruto alheio. 
Da cuca nunca correu. 
Nem do bicho-papão. 
Coitado do papa-figo. 
Trazia o bicho no laço, sem alvoroço, 
e era mais fácil papar o bicho em sua mão. 
Na Várzea, impunha respeito, 
peitava a quem lhe olhasse torto ou só pelas costas. 
De banda, há quem lhe chame de arrogante, 
mas não leva em conta disse-me-disse. 
Ela logo chama na chincha e às claras. 
E ai de quem se atreve 
a lhe encarar os pêlos na venta. 
Há até, pasmem, quem lhe chame 
de Maria-Homem. 
Eu lhe chamo, apenas e só, 
de mulher-coragem, 
dessas que cospem fogo pelas ventas,
dessas que comem o fruto 
e ainda roem o caroço!

domingo, 9 de dezembro de 2012

A HORA DO ADEUS...QUE SAUDADES DA PROFESSORINHA!, por João Maria Ludugero

Foi outro dia. 
O sol morno apareceu em Várzea. 
O lugar ficou com os olhos marejados 
numa tristeza danada. 
Foi como chuva em pingos da choradeira 
que insistiam em cair, 
enquanto a notícia crua 
corria becos e ruas 
muito além das quatro bocas, 
anunciando a partida 
repentina e inesperada 
da inesquecível professora 
Zilda Roriz de Oliveira. 
Ficou a dor do último adeus, 
estampada em meu rosto, 
revelando o amor sentido, 
a saudade antecipada, 
o orgulho de ter vivido 
tão perto de uma amiga, 
de uma mulher ética e digna, 
de uma exímia educadora. 
Em Várzea a perda sentida. 
No céu a festa esperada. 
A entrada triunfante, 
carregada pelos anjos. 
Novas trilhas definidas, 
novas metas planejadas 
numa lição para lá de abençoada 
para a nova caminhante, 
que ora lida no andar de cima, 
bem mais perto de Deus!

O DIA DA CAÇA, por João Maria Ludugero


O preá comeu o capim.
O preá o fojo prendeu.
No fojo a cobra caiu.
A cobra comeu o preá do fojo.
No fojo o homem meteu a mão
Em buscar do preá...
Mas em seu lugar estava a cobra
Com o preá no bucho.
De um bote só, a cobra mordeu o homem.
O homem morreu de cascavel em pulso, 
Vítima de sua própria armadilha. Escafedeu-se!
E onde foi enterrado nem capim nasceu!

sábado, 8 de dezembro de 2012

A MAIS LINDA ÁRVORE DE NATAL por João Maria Ludugero


Quando entrava dezembro,
A gente lá estava 
De prontidão 
Na casa da avó Dalila.
Todos se sentavam no chão.
Passávamos horas ajudando 
A montar a árvore de Natal:
Um arbusto, achas ou gravetos secos 
Ou mesmo um pé de algodão 
Com os galhos recobertos de lã de algodão,
Fincado dentro de uma lata de querosene Jacaré 
Embrulhada em papel de presente.
Era mesmo uma festa onde a alegria corria solta.
E, apesar da cautela, sempre acabava 
Por despencar uma ou outra bola colorida quando havia...
E, de quebra, a gente se extasiava 
Com aquelas cenas fantásticas.
Tudo era tão rústico, tão simples 
E modesto, mas tão gratificante.
O carinho vinha junto, em cada mão que ajudava
Entre um enfeite e outro 
A adornar a árvore do Natal.
E o amor conseguia ser mais doce 
Que o bolo de batata-doce
Que a minha avó Dalila nos servia 
Com um balde de Q-Suco de groselha.
Lembro que ela guardava suas experiências de vida
Em cada canto da sua casa simples lá na Várzea.
E ela nos contava diversas estórias do arco da velha,
Enquanto, entre gargalhadas e atenção,
Nos fartávamos de vida e de sonhos acordados.
Ela já se foi, faz tempo,
Mas naqueles dias que a saudade em mim transborda
E sempre que chega dezembro e as festas de fim de ano, 
Meu coração se derrama todo, entorna
Feito leite quente depois que ferve...
E aí, acordo a saudade que me perfuma a alma
A retomar meu corpo de espírito natalino.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

RENASCER, por João Maria Ludugero


Tem horas em que me acho 
Com a poesia na veia. 
Centelha, um arder assim faísca 
Renascendo desde a raiz do cabelo,
Um flamejar desde os poros, 
Pelos pêlos, pela pele, sobrancelhas
Até causar um incêndio em acordes,
Alto e dentro do interior. Até às vísceras. 
Imagino como pode uma fagulha 
Se imensar de tal eloquente maneira 
Chegando a línguas de fogo, labaredas.
Entrementes brilhos ou uma armadilha? 
Acendo-me em ideias inusitadas, 
Fosforescentes. 
Entro nelas em combustão, 
Esfumaço ao vapor.
E não tenho receio 
De chegar às cinzas, 
Entretido num teimoso recomeçar. 
Nenhum fosfeno de ter 
Qualquer des-razão me atrai,
Porque correr dentro da poesia 
Me perfuma a alma, 
É mesmo um meio atraente
De a partir do ser 
Acontecer em luminosa essência.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

O CARRO-DE-BOI, por João Maria Ludugero


O carro-de-boi adentra 
A corrente do riacho do mel,
Riacho raso, leito quase seco... 
O tempo do estio se achega agreste
Ao passo em que o carro avança cantando
No paul aonde se planta batata-doce. 
Moleques suados, curiosos se atiçam,
Empertigados vêm vê-lo passar, 
Estridente, possante, cantante,
Quase manhoso a ranger... 
E passam que passam pela vista
Mangas rosas e espadas, 
Cajus amarelos e encarnados 
Num carrego que só vendo;
Mangabas maduras, pitombas
De dar água na boca.
Pendurados mamões amarelos, 
Mangas de toda espécie
Tais quais peitinhos de moça
Que se mostram apetitosos
Feito mamas macias, em riste,
Pra gente mamar de encher a boca
E ficar com o gosto de querer sempre mais!

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

ENQUANTO ISSO, VIA-LÁCTEA ABAIXO...QUEM DÁ MAIS?, por João Maria Ludugero


O mundo está de pernas pro ar.
Patos e gansos aos sopapos se abusam.
Cisnes narcisistas deglutem sem dó
Carne de pavão em cápsulas.
Tapiocas bijusadas em farinhas artificiais
Não têm mais cheiro de coco ralado.
Os frandes substituem a palha da bananeira.
A goma sofisticada se vira em grude na chapa de aço.
O siri ganha lustrado verniz empalhado na vitrine.
Carapaça alegre, brilhante fora do mangue,
Olhos de guaiamuns extintos, de soslaio.
Detrás do futuro desconheço meu habitat.
Perdi o jeito de andar em bando pelo interior.
De banda me arribo sem sair do cais, em transe.
Há virgens em nada complacentes, digo
Que rifam hímen em rede, auréolas em riste
Derramando silicones dos peitos vazados...
Seios de plástico, refeitos, oblongos, isto é
De bicos para quem à esquina da rua perambula.
Já li alguma coisa e tal à época em voga.
Se li, cones e picaretas na via Vogue.
Na lida por outras bermas, alertas à-toa nos muros. 
Veja-se cabotino, sem papas na língua, aos murros.
O corpo a corpo em desfile de vaidades se alonga, 
A quem interessar que viva morrendo à míngua. 
Virgindade, não pasmem, pode virar moeda de barganha. 
E Caretice da maior 
É se achar incólume 
Diante dos laços assim desatados.
Se assim dispôs do leite 
Pela via-láctea abaixo, 
Então não reclama 
Do que a fundo é perdido 
E derramado!

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

O INTERIOR DO SONHO: A VÁRZEA QUE VIVE EM MIM, por João Maria Ludugero

Um sonho que me extasia
E me renova esperanças,
É ver Várzea ganhar o mundo 
Pela mão da minha poesia. 
Confesso: tenho toda confiança 
Antes do avançar da idade, 
De ver, nas mãos das crianças, 
Esse interior crescer com elas, 
Afoitas a alavancar 
Notória e feliz cidade. 
O meu EU sofreu mudanças, 
Uma mudança sem fim. 
Só não mudou 
O menino varzeano 
Que eu fui 
E que vive assim, 
Que corre 
Livre, 
Leve, 
Solto, 
Arteiro,
Teimoso e 
Medonho 
Se imensa 
Em mim!


segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

MANADA, por João Maria Ludugero

E lá se vai o gado a pastar, pastoreado.
A ruminar, mastigar seu sustento, sem pressa. 
E lá se vem a manada a beber no açude sua sorte 
Por entre arames farpados, marcas e carrapatos. 
E o gado suporta marcas de ferro em brasa, de fato, 
Limitado a cercas, cancelas e mata-pastos. 
A viver sua sina, a comer a ração propícia 
A prosseguir no rastro, no manejo do leite, 
Passo a passo, domesticada mente, 
A esperar a triste choupa certeira 
À custa do destino que não escolheu. 
Com o azul do céu no pensamento 
Por ter o verde chão sob os pés, 
O gado faz do capim seu vasto legado 
E, sem saber, nem de longe por instinto, 
De sua possante força de estouro e raça, 
Engorda para o corte às arrobas em alta, 
E assim, resignado, a ferro e a fogo, 
Prepara-se para a morte súbita 
Em seus currais de confinamento.