quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

PITANGAS, por João Maria Ludugero

 
 
 
 
 
 

PITANGAS,
por João Maria Ludugero.

Sabor de pitangas,
Cor de maracujá e amoras 
Carne de caju e manga
Néctar de umbu-cajá
Beijo arteiro fora de hora
Agora aos solavancos
Paixão ao lusco-fusco
Que não furta a cor 
Absoluta em lençóis 
Nos bons ares em perfume
De jasmim ao lume
Quase inconfessável
Desejo que avança graviolas
Lampejos nus sobre a rede
Com o olhar que me chama
Bebo vinho ou cachaça
Ébrio, perco o tino
Dentro e alto em forma
Na Várzea que me nina
Enquadrado destino
Atmosfera consentida
Jardim dos manjares
Delicias expostas pelo interior
Agora vamos entoar
Cantigas em trovas
Fortes ensejos ariscos
Muita estripulia além 
Das quatro bocas
Pulsação, palpitação
Sedução, audácia, 
Anarquia em fervor
Determinação, gengibre
Solene e pura harmonia!

AZUIS, por João Maria Ludugero

 
  
AZUIS, 
por João Maria Ludugero 

Eu já pintei de azul os meus sapatos  
por não pode azulejar as ruas, depois, 
despi-me do terno azul marinho 
e colori as minhas mãos e as tuas.  
Descalços, ficamos nus em pelo, 
sem vergonha de derramar em nós 
o azul firmamento e armar no céu a lua de prata... 
Enfim, depois de tantos sóis, sem cansaço, 
Entornamos simplesmente o azul  
sobre vestidos, juízos e gravatas. 
E mergulhados em nós, tangemos os percalços, 
e cheios do céu, caímos feito chuva  
a molhar a terra toda prosa e nua às tintas, 
afoita para receber nossos pingos azuis... 
E assim achados no azul nos contemplamos arteiros. 
E foi aí que vi teus olhos d'água a marejar os meus, 
e num piscar de olhos, pude ver tua íris de soslaio  
a me convidar a correr dentro do teu olhar contente
vertiginosamente azul azul-piscina, 
onde meu olhar se espiou ao mergulhar inteiro.

DESENHO DO SER, por João Maria Ludugero

DESENHO DO SER, por João Maria Ludugero

Amparado no fiel desenho do ser, 
Eu me aventuro com firmeza, 
Não temo em correr dentro da flor/esta, 
Banho-me na pureza do jasmim, 
Atrevo-me a ir alto por dentro, 
Interiorizo-me a me completar e chego lá, 
A tempo de não me passar a limpo; 
Posto que já me capricho no rascunho…

QUEM SOU EU? por João Maria Ludugero

QUEM SOU EU?
por João Maria Ludugero


Eu sou Ludugero desde que me entendo por gente, 
acho até que já nasci assim com a poesia no sangue.
Quer saber por que escrevo? Exatamente, não sei. 
Mas, deve ser para buscar sensações perdidas pelos desvãos do cotidiano. 
Sou um Brasileiro, Potiguar, Varzeano eternamente apaixonado por POESIA. 
Eu versejo para sair um pouco da realidade do dia a dia por meio da escrita, 
embora tratando, muitas vezes, de coisas cotidianas corriqueiras, 
é uma forma saudável de enfrentar a vida, de se colocar diante dos fatos, 
cara a cara, sem, no entanto, ser esmagado por eles. 
Manipular, as letras no engenho das palavras, 
torná-las atrativas para que outras se juntem, é uma sagrada empreitada, 
tarefa das mais sublimes desse ofício de versejar. 
Há uma espécie, aí, digamos, de 'cafetinagem'. Isso mesmo. 
Identifico-me, longe de ser cabotino, orgulhoso, 
como um agenciador das palavras, 
um 'cafetão' das letras. Sou poeta. Estou aqui para interagir sobretudo com a Poesia, 
com textos e prosa, fazer amizades, ampliar o rol das amizades e partilhar 
o que temos na taberna da Literatura. Escrever de certa forma é a minha Vida, 
fazer poesia, celebrar o bem viver a vida de verdade, 
desbragadamente, sem pejo.