sexta-feira, 27 de julho de 2012

INVERNO, por João maria Ludugero

QUE VENHA O INVERNO...
VISTO UM CASACO RETRÔ
OU UMA CAMISA DE FORÇA QUE SEJA,
POIS NÃO FAZ SENTIDO NÃO SER LOUCO.
ABRO MÃO DO CONTROLE REMOTO,
USO AS PERNAS, LEVANTO E MUDO
NÃO ME CALO, BERRO
LANÇO FARPAS, 
QUEIMO AS ACHAS
E AS ERVAS-DANINHAS.
LEVANTO AS VELAS... ACENDO-ME,
APARO AS ARESTAS, EIRAS E BEIRAS 
A TEMPO DE SÓ QUERER 
QUEM ME INFLAME AO CALOR.
DEPOIS DE TANTO VERÃO
QUE ME VENHA O INVERNO 
EU SOU TODO ABRAÇO,
MEIA QUENTE E FOGUEIRA.
SÓ SEI QUE UM DIA O FRIO CONGELA TUDO
E RESTARÃO APENAS
O PÓ, A POEIRA, 
E O VAPOR DAS HORAS,
NEM ANDOR, NEM ANDANÇAS
NEM ANDORINHAS!

CABEÇA FEITA, por João Maria Ludugero


Cato palavras
como quem busca água
encho os olhos d'água
espicho minha alma no varal
disposto só de cubar o vento 
me reinvento, me restauro
feito lagartixa no lajedo
não mato minha sede, vicejo
de tanto andar compondo versos
já me acho no jeito de fazer poesia
só de manjar não sacio a fome
e quando a cuca pega sem rimas
de cabeça feita, papo meus bichos!