quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

A ETERNA RIQUEZA, por João Maria Ludugero.

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MAURO FERREIRA - Carro de boi - 70 x 60João Maria Ludugero- foto antiga-carro de boi1 Carneiros e carrocinhacabeça de boi seca Curral em foto antiga

A ETERNA RIQUEZA,
por João Maria Ludugero.

O que é a verdadeira riqueza? 
Para um, um sapato ou uma velha camisa já é riqueza. 
A riqueza de um homem está no seu coração. 
É no seu coração que ele é o rei do mundo.
Ao passo que outro é pobre com dez milhões.
De cubar a lida, inveja-se a riqueza de outrem, 
Mas não o trabalho com que ela se granjeia.

Logo, viver não exige a posse de muitas coisas,
Já morrer rico advém da extrema incompetência.
Há riqueza bastante no mundo aliadas às necessidades do homem, 
Mas não para a sua entretida e alvoroçada ambição.
A sociedade é composta por duas grandes searas: 
Aqueles que têm mais manjares que apetite 
E os que têm mais apetite que manjares.

Não só de manjar, mas é a súbita pobreza que nos abre os olhos, 
Em contrapartida de que a alta fortuna lhes havia mantido fechados.
Portanto, é de boa ciência, que a riqueza influencia-nos como a água do mar. 
Quanto mais a bebemos, mais aumenta a sede que nos se achega. 
Apenas a devia ser possuidor quem tem espírito: 

Não sendo assim, a riqueza é um perigo público!

MEMÓRIAS DA NOSSA VÁRZEA-RN, MINHA TERRA, MEU AMOR... ENSINAMENTOS: QUANDO FALA MAIS ALTO O CORAÇÃO DE ESTUDANTE, por João Maria Ludugero

 
 
MEMÓRIAS DA NOSSA VÁRZEA-RN,
MINHA TERRA, MEU AMOR...

ENSINAMENTOS: QUANDO FALA MAIS ALTO 
O CORAÇÃO DE ESTUDANTE
Autor: João Maria Ludugero

Já se foi o tempo, nos idos das décadas de 70/80, a Cidade de Várzea não dispunha de estrutura nem de escolas para oferecer aos seus estudantes que quisessem cursar o ginasial e até o ensino médio, portanto, estes se dirigiam à vizinha cidade de Santo Antonio do Salto da Onça, onde eram submetidos a rigoroso processo de seleção/exame de admissão para ingresso no Ginásio Ana de Pontes, unidade de ensino que acolhia alunos de outros municípios da região.

Eu bem sei, pois senti na carne as dificuldades daquela época, pois as estradas ainda não eram asfaltadas e o transporte era feito de forma precária, no princípio, em camioneta da prefeitura, numa leva de mais de uma dúzia de alunos, que enfrentava a estrada, os atoleiros na época das chuvas, o desconforto, intempéries, dores nas costas e até indisposição para os estudos. Em seguida, com o aumento do número de estudantes, esse serviço passou a ser prestado por um caminhão, tipo pau-de-arara, coberto com lona, no qual os alunos se sentavam em bancos de tábuas, o que causava desconforto e insegurança e o risco de acidentes era constante, apesar dos cuidados em colocar madeiras nas laterais. E por derradeiro, para a condução dos alunos foi contratado o serviço em ônibus da Viação Queiroz e Melo.

Devido a precariedade da estrada de chão, a gente chegava à escola depois de cerca de um tempo de viagem, já cansados, com o corpo doído, com dores nas costas, e com os nossos pais a esperar preocupados. Os pais ficavam apreensivos quando os filhos saíam nessa maratona para a escola. Era o jeito deixar, mas ficavam rezando para que não acontecesse nada. Estávamos entregues nas mãos de Deus!

Exaustos, o rendimento de aprendizagem caía. Esse sacrifício prejudicava a atenção dos estudantes, que, todos os dias faziam o percurso de Várzea para a escola em Santo Antonio, utilizando esses meios de transporte. Mas,com todas essas dificuldades, a gente ficava junto, dividindo o mesmo espaço, e até cantava em coro diversas músicas conhecidas e sucessos da MPB, só para o tempo passar e a vida continuar, sem esmorecer, sem deixar o sonho cair, uns dando força aos outros, para não deixar prejudicar o aprendizado.

Atualmente, vivemos uma nova realidade, tudo se tornou mais fácil, Várzea dispõe de boas escolas com alunos matriculados nas redes municipal e estadual de ensino compostas de educação básica, formada pela educação infantil, ensino fundamental e ensino médio. Quem sabe, em breve, também teremos no nosso município meios de educação superior, sem carecer de deixar a cidade para estudar fora?


Com todas as dificuldades, mesmo assim, a gente acreditava e partia para a luta, sem cruzar os braços, porque o varzeano coração de estudante, desde cedo, aprende a lição e acredita nos ensinamentos, para exercer essa capacidade de acreditar na força dos sonhos... E, assim, não desistimos nunca, apesar dos fardos pesados e dos obstáculos que encontramos pelo caminho. Isso tudo só funciona como estímulo a nos impulsionar para a vitória.

MARIANA: VESTIDA DE MAR, por João Maria Ludugero

MARIANA: VESTIDA DE MAR,
por João Maria Ludugero.

Ela se veste de mar e emoldura a espuma
Do que liga um cúmplice entretenimento
O mar enfeita a noiva em céus de bruma
Tão viçosa com vestido branco ao vento.

O mar faz seu coração animado em voo
Na arte de amante audaz que enfeitiça
Mariana tem o corpo a flutuar ao léu 
Na onda que se ejeta despida a contento.

Num pomar de conchas ela enleva suas tranças
E ao céu da boca, o gosto do sal como habite-se
E nua, já se aninha aos travessos travesseiros...

E vem o rei das jornadas calorosas e precisas
A amar a criatura, que ao seus pés fascinada
Entrega-se ao mar-elo de seus andrajos em vida!