quarta-feira, 20 de junho de 2012

NÃO ME CANSO DE ESCREVER, por João Maria Ludugero


Tenho sede insaciável 
de sentir o que as palavras
têm a me dizer. Já amanheço 
com o gosto delas nos olhos, 
consentidas ou não, 
alvoreço de boca seca 
e logo me alivio, 
ao compartilhar dádivas advindas 
da luz que entra e me desenha 
sentidos em cores vivas 
que não deixam secar 
a força do coração e a nitidez da mente. 
Escrevinho sempre com o ânimo 
de quem está para reverdecer 
e quem risca pensando, 
caminho os olhos numa lida 
que me dá a sorte de ganhar o mundo, 
com as mãos sempre ávidas, 
dispostas a compor 
versos e reversos, 
num universo sem rimas. 
É por isso que só escrevo 
e não me sinto só, leio-me, 
invento casas, crio asas 
e passo a correr dentro, de súbito, 
até quando me ponho na cela 
depois de tantas luas, 
mas tão logo me liberto ao acordar 
sob os primeiros raios de sol.