quinta-feira, 6 de março de 2014

CANTEIROS, por João Maria Ludugero

 
 
CANTEIROS,
por João Maria Ludugero

Não só de manjar o dia,
Palavra-corpo, alma e sentido
O verbo torna-se acorde
Num ir e vir bem animado
Em tal sonho desmedido 

Saber-te é como querer-te
Nas paragens consentidas de sal
No marejar vertente dos olhos
Que te prateiam a luz astral...

Reverdejas, e sou-te como capim
Embrenho-me na tua semente
Recrio ninho na palavra astuta
Recebo-te no olhar iridescente

Exuberas, e não é de hoje
Meu testemunho na pele agita
És mais que encanto em ávida poesia 
És um pote de imensa áurea real, 
Sem quebrar o lume da fantasia!

Eu-sou-tudo-e-nada
Sinto-me-só-em-desvãos-de-vazios,
Mesmo assim sou-te riqueza e vasta ventania
És tempestade em tal bendita alforria
A mente se desvencilha solene e arteira
sobrando-me um ramo somente na lida
Sonho em acordes de flor, estrela e lua
Num real canteiro de olhares contentes

Até assanhar de vez os pelos da venta!

LUDUGERÁVEL, por João Maria Ludugero

 
 
 
 

LUDUGERÁVEL, 
por João Maria Ludugero 

Eu
Eu quero 
Eu quero estar 
Desatado em nós sem quebranto 
Eu quero estar no teu viço agora 
Eu quero estar na tua vertente 
Eu quero estar no teu alpendre 
Sem horas para me encontrar 
Sem horas astutas 
Sem horas no caos 
Sem horas de manjar 
Eu quero estar na tua rua agora 
E ter o amor bem mais animado 
Eu quero ser sério e brincar de Ludugerar 
Muito além do horizonte que me faz clarão 
Dentro e alto da tarde amena que me nina ao laranja 
E me eleva a ganhar a radiante estrela Dalva 
Que me arrasta pra fora da penumbra do desvão 
Dentro da meia-noite em muito mais da meia-hora 
E até me assanha os pelos da venta 
E até me arranha o céu da boca 
Quando eu bem-te-vejo contente 
A esvoaçar pelos ávidos canteiros, 
Arredando-me 
A ser muito mais 
Que 
Apenas 
Um sanhaço 
só!

PLENA DEDUÇÃO, João Maria Ludugero

 
PLENA DEDUÇÃO,
João Maria Ludugero

Não só de cubar a lida,
Mas não acabarão nunca com o amor,
Nem as rusgas,
Nem as partidas
Nem a distância,
Tudo ainda fica
Aos bons ares em prumo
A correr dentro e alto.
E no pensar consentido,
Está mais que provado,
Pensado,
Verificado...
Não exaurido.
A manjar a obra-prima
Minha autêntica estrofe
Aqui levanto sem rima
Que medita a sentir
E faço um juramento:
- Amo de verdade
Firme, sem quebra,
Ávido, fiel, animado
E o amor tecido em cores
De renovadas esperanças
Para todo o sempre!

RENASCER ALÉM DAS CINZAS, por João Maria Ludugero

 
RENASCER ALÉM DAS CINZAS,
por João Maria Ludugero

E ao ficar de manjar a lida
A gente ganha arrimo, de pronto, com afinco
E aprende de uma vez por todas a deixa solene
Que o tempo é muito lento para os que esperam
Muito rápido para os que têm medo
Muito longo para os que lamentam
Muito curto para os que festejam
Mas, para os que amam, o tempo é eterno,
E renasce até mesmo das cinzas!

GOSTO DE MAÇÃ, por João Maria Ludugero

maçã verdefim
GOSTO DE MAÇÃ, por João Maria Ludugero

E lá vamos nós,
Voando, voando.
Eu colibri voo para ti,
Pouso na mais linda flor. 
Me alimento de pétalas. 
Frutifico encontros. 
Floresço a girar sóis,
Arranjos encarnados de mim. 
Desabrocho asas 
Eu voo assim pleno
A beber a manhã
Que se levanta nua ao céu aberto
Em tua boca ávida, 
Bem-me-querendo ser caça 
A me perder por aí... 
E vice-versando, de passagem, 
Consentindo-me a ficar à-toa na vida. 
Ao léu, ser assim maçã
Só pra sentir a doçura
Dos teus lábios carmim,
Apreendendo-me ao dente,
Ensinando-me a falar tua língua
Eu, Adão,

E tu, Eva!

CANTEIROS, por João Maria Ludugero

 
 
 

CANTEIROS,
por João Maria Ludugero



Não só de manjar o dia,
Palavra-corpo, alma e sentido
O verbo torna-se acorde
Num ir e vir bem animado
Em tal sonho desmedido

Saber-te é como querer-te
Nas paragens consentidas de sal
No marejar vertente dos olhos
que te prateiam a luz astral...
Reverdejas, e sou-te como capim
Embrenho-me na tua semente
Recrio ninho na palavra astuta
Recebo-te no olhar iridescente
Exuberas, e não é de hoje
Meu testemunho na pele agita
És mais que encanto em ávida poesia
És um pote de imensa áurea real,
Sem quebrar o lume da fantasia!

Eu-sou-tudo-e-nada
Sinto-me-só-em-desvãos-de-vazios,
Mesmo assim sou-te riqueza e vasta ventania
És tempestade em tal bendita alforria
A mente se desvencilha solene e arteira
sobrando-me um ramo somente na lida
Sonho em acordes de flor, estrela e lua
Num real canteiro de olhares contentes



Até assanhar de vez os pelos da venta!