terça-feira, 15 de outubro de 2013

LIÇÃO EM AULA DE SAUDADE. ÀS MESTRAS, COM CARINHO! por João Maria Ludugero.


Mosaico Professora Maria Fernandes (Dona Marica)1
LIÇÃO EM AULA DE SAUDADE.
ÀS MESTRAS, COM CARINHO!
por João Maria Ludugero. 

O poema não vive em cela 
Acorrentado à celulose 
Quer ser rezado, expandido a giz,
Rezemos a correr dentro e alto:
Ave, poesia das mínimas perdas 
Rosas do rosário de nossas Marias 
Clareando as camisas de volta-ao-mundo 
(A)batidas no quadro-negro
Sem  o pulso das boas regalias,
Crias afoitas na coragem 
Ave, rezemos de uniformes,
Rezemos sem medo da cuca,
Ao pé da letra, a tabuada
Desde os nove-fora zero,
Das lavras bem(ditas) no coração 
Das professorinhas da lida
E das boas mães curtidas 
A fiar as tranças e os medos 
Em cada passo, outra vez 
Engomadas as vestes
Um, dois, três
Amarelinhas 
Rezemos a composição
Rezemos as palavras bonitas
No be-a-bá do ABC
Na rede de algodão 
A semente rebuscada 
Nas ciências da vida 
Os astros infindos ao borrão
Nas aulas de geografia
O sol, a lua, a via-láctea 
A sopa de feijão de corda
Feita por dona Maria Gomes,
Comida servida, mais de uma vez
A bem dizer
A merenda que comemos
Repetimos ao recreio
As brincadeiras em estripulias
Sem esquecer do asseio com afinco
Da inesquecível dona Suzéu…Ai, meu Deus!
Repetimos,
Rezemos,
Oremos, dia-após-dia, 
A partir das tripulações de corais 
Inventariadas 
Entre as amadas forças escolares 
Desarmadas tais como:
Dona Marica Fernandes,
Dona Eunice Marreiros,
Da dona Vilma e Dezilda Anacleto,
Dona Maria José Alves,
Dona Arlete, Dona Conceição,
Dona Graça de Zé Baixinho,
Dona Hernocite Maurício e Eliete,
Dona Terezinha Bento Ribeiro,
Dona Zilda Roriz de Oliveira,
Dona Gabriela Pontes,
Dentre tantas outras mestras
Das primeiras letras…etc. 
Lembremos 
Dos amigos, os tesouros
Pequeninos
Pontilhados nas memórias 
Das boas aulas de História
Santa Maria, Pinta, Nina
E os destinos 
Da última catequese de São Pedro 
E seus dízimos 
Assim nos dizia a proteção
Do Santo Anjo do senhor
Tão zeloso e guardador 
Rezemos 
Nesta ocasião
De corpo e alma 
Salve lindo o hino à bandeira
Este poema guardai, com Fé,
Oremos o ato de contrição,
Rezemos a poesia,
Por intermédio 
Da Ave-Maria Desatadora dos nós, 
Do trovador da felicidade nacional
No claustro das horas solenes,
Sem palmatórias nem sentença,
A desapear no ditado verbal
A bem da verdade lavrada
A recitar-se em terno poema 
Na troça de um magote 
De meninos levados da breca,
Pois no rabisco dos cadernos 
Onde escrevemos a novidade 
A voz ressoa seu grito composto: Ave-Maria!
Não há penas em todo poema agora rezado,
Ave, voemos, fora da prova final 
Ave, voemos, dentro da saudade!