sábado, 2 de agosto de 2014

AUTO-RETRATO: SENHA INTERIOR DO RELICÁRIO DO POETA DA VÁRZEA DAS ACÁCIAS - JOÃO MARIA LUDUGERO.

 
 AUTO-RETRATO: SENHA INTERIOR DO RELICÁRIO 
DO POETA DA VÁRZEA DAS ACÁCIAS - JOÃO MARIA LUDUGERO.


O menino maduro João Maria Ludugero ao compor e escrever seus versos vivencia a si mesmo, seus pensamentos e ideias consentidas dentro do vão da lida como algo separado do resto do universo - numa espécie de ilusão de ótica de sua inspiradora consciência. 

E esse relicário é uma espécie de cela dessas que nos restringem a desejos pessoais, conceitos e ao afeto por entes mais próximos. Sua tarefa básica é a de se livrar dessa prisão, ampliando o seu círculo de compaixão, para que ele abranja todos os seres vivos e toda a natureza em sua beleza sem cancelas ou estranhos nichos. 


Ninguém conseguirá alcançar inteiramente esse objetivo, 

mas lutar pela sua realização já é por si só parte de nossa liberação e o alicerce de nossa renovada esperança interior, arraigado ao mote do enlevo de não ser cabotino. João Maria Ludugero é um eterno e sincero menino disposto ao limbo da literatura que ele esbanja com o escopo de não ter medo da cuca e, no entanto, caso seja esmorecido na lavra de seus poemas, é capaz de se levantar dentro e alto, depois de assanhar até os pelos da venta!

POÉTICA E INQUIETA SENHA: LUDUGERÁVEL! por João Maria Ludugero

 
 

POÉTICA E INQUIETA SENHA: LUDUGERÁVEL!
por João Maria Ludugero

Sou um ente fascinado a correr dentro e alto pelo interior da lida. Tenho um olho contente que vive: sou um ser despachado, adoro escrever, amo a seara da natureza. Mas eu tenho um outro olho que mira o lado difícil, sombrio. A minha literatura nunca vai ser 'um nicho de seres que foram felizes para sempre'. A lavra de meus versos sempre nasceu da labuta, da astúcia do envolvimento e do conflito, da dificuldade, da saudade a devastar, dia-após-dia, o relicário do meu coração partido.

Nesse diapasão, já cheguei a pensar que um dos objetivos da escrita é instigar o leitor, fazendo-o revisitar conceitos e lugares silenciosos, onde seus passos não se arredam às bermas da lida e se dispõem a andar ao lado das mãos do escritor. Um esvoaçar sem roteiros definidos, onde a inspiração é a inquietude maior pela segurança do chão-de-dentro.

Tento entender a vida, os seus andrajos e andores, as viagens pelo mundo e seus mistérios e para isso vivo a escrever. Não conseguirei jamais entender, mas tentar me dá um enorme contentamento. Além disso, sou um homem simples, em busca cada vez maior de mais simplicidade. Amo a seara da vida, os amigos, os filhos, a arte, minha casa, o alvorecer. Sou um amador da vida que Deus me deu de presente, um afortunado, ou, que se diga, em alto e bom tom, sem carecer de senha para ser cabotino, pois sou o homem mais rico, o mais feliz em andanças a ganhar o mundo.

Viver é, para mim, uma dádiva, mesmo quando esbaforido. Eu gostaria que, na correria dos dias atuais, a gente pudesse se permitir, criar, uma completa e pequena seara de contemplação, um relicário de autocontemplação, de onde se pudesse ver melhor todas as coisas: com mais generosidade, mais otimismo, ânimo, dignidade, mais respeito, mais silêncio, mais vontade, bem-querer, afinco e prazer. Mais senso da própria dignidade, não importando idade, dinheiro, cor, posição, crença. Não importando nada disso. Afinal, a vida é um sagrado nicho de amor tecido a partir das viçosas e astutas vertentes da ousadia que nos faz destemidos e até em assanhar os pelos da venta! Zás! etc...

MEU CAÇUÁ VARZEANO, por João Maria Ludugero.

 
 
 
 
MEU CAÇUÁ VARZEANO (SÍNTESE DA SÉRIE: VÁRZEA EM TRÊS MIL, QUINHENTOS E QUARENTA E QUATRO POEMAS) ETC...

PREZADOS LEITORES,


Com esta série perfazendo um total de 3.544 textos poéticos escritos por mim, a partir de agora, pretendo tecer, resgatar e publicar aqui e expandir, nacional e internacionalmente, atualmente estendidos por mais de 85 países, poemas estes da minha composição dentro da lida, uns tantos versos a homenagear pessoas que trago na memória e no coração, instantes outros e lembranças que carrego dentro do meu "BaúLud" – ou seja: este é mais um espaço para um exercício mnemônico compartilhado da minha vida varzeana.

Mas, em vez de chamá-lo de "baú", termo mais associado à guarda de objetos caros, raros e finos, prefiro denominá-lo caçuá, que me soa mais familiar, pois que me traz diversas recordações vividas na minha infância em Várzea, Cidade da Cultura – e, principalmente, porque combina mais com meus escritos, geralmente rústicos, pretensamente (ou desejosamente) vertidos da poesia que tanto a minha terra me inspira.

Diferentemente do baú, o caçuá é assim ambulante, carregado por gente simples, gente da gente. O conteúdo do caçuá é discernível pelas frestas do trançado – cipós que formam paredes quase diáfanas, revelando objetos que contam histórias, incitam sensações, reavivam memórias tão varzeanas... Meu caçuá vai trazer muito mais que emoção e saudades, a cada texto. Aguardem-me. Vamos trilhar juntos por caminhos só desbravados pelo coração!
Meu caloroso abraço,

João Maria Ludugero, Advogado, Escritor e Poeta varzeano.