terça-feira, 19 de junho de 2012

UMA ROSA A TODAS AS MULHERES VARZEANAS, por João Maria Ludugero


Rosas, 
Penhas, Luzias, Marias, Ritas, 
Júlias, Anas, Lucilas, Benas, Dálias, Glórias, 
Maricas, Marocas, Joanas, Zildas, Nedas, Isas,
Nanas, Nenas, Ninas, Nininhas, Nucas, Nanucas 
Dadas, Piedades, Sinhás, Zélias, Netas, Nitas, Jaciras, 
Rosildas, Dalilas, Querubinas, Beatrizes, Julietas, Ângelas,
Socorros, Cleones, Vitórias, Benildes, Anatildes, Alices, 
Claudinas, Carminhas, Cilas, Onélias, Santinas, Ianes, 
Carmozinas, Albanitas, Cidas, Leniras, Crislaines, Marinas, 
Suzéus, Zidoras, Do Carmos, Das Neves, Das Dores, Da Luz,
Wilmas, Dezildas, Oneides, Nices, Neides, Zeneides, Tivas, 
Neuzas, Geniras, Sofias, Dalvas, Lídias, Sônias, Sandras, 
Leilas, Cleides, Leides, Noildes, Risolitas, Gabrielas, 
Veras, Inês, Lilas, Verônicas, Hernocites, Sulamitas, 
Lourdes, Lúcias, Lucindas, Clarices, Divas, 
Fátimas, Rosários, Célias, Beneditas, Zitas, 
Graças, Ceiças, Raimundas, Gildinas, Amélias, Dóias,Tonhas, 
Elietes, Elinas, Jandiras, Belas, Pretas, Belinhas, Zabéis, 
Tinhas, Ticas, Tecas, Terezas, Telmas, Severinas, 
Viras, Camilas, Miras, Lolas, Arletes, Vânias, Licas
Rosálias, Luzias, Celinas, Palmiras, Franciscas, 
Lenices, Marinans, Tecas, Biricas, Zefas, Zefinhas... 
São tantos os nomes das mulheres de Várzea! 
Me perdoem se esqueci de mencionar alguém nesse rol, 
mas sintam-se aqui especialmente representadas. 
Todas são dignas. Sábias. Cabeças erguidas. 
Elas construíram/constroem a base, o alicerce 
dos lares da nossa Várzea das Acácias. 
Mulheres de coragem, esposas, mães, filhas, devotas, 
amigas de todas as horas no batente da vida! 
Seja em casa, a cuidar da família, dos entes queridos, 
seja na cozinha, na lida diária, na escola, na igreja 
ou até com a trouxa e a lata d’água da cabeça. 
Mulheres destemidas, heroínas de fé e esperanças, 
pacatas senhoras das terras do agreste verde. 
Rainhas da doçura, de quanta ternura e beleza, 
apesar de toda a aridez dos caminhos. 
Mulheres que acreditaram/acreditam 
em Deus e em si mesmas! E hoje, escrevem 
uma nova página na História das mulheres varzeanas, 
que com garra, brio e determinação ajudaram a criar, 
a fincar as raízes da Várzea que aí está, 
mesmo agora quando muitas 
já seguiram para o outro andar, 
onde estão lá no céu de São Pedro apóstolo, 
mas que deixaram suas marcas patentes 
aos descendentes pra luta continuar, 
arquitetando sonhos e esperanças, 
que prevalecem como exemplo 
da força e da grande expressão 
da Mulher Varzeana! 
À toda essa gente linda, dedico este poema
e uma rosa com muito carinho e consideração!

O INTERIOR DA DEVOÇÃO, por João Maria Ludugero

A procissão 
Sob crédulos olhares
Se arrasta
Na tardezinha 
Pelas quatro bocas suplicantes
Rezando Ave-Marias. 

O velho caminho do Calango, 
Se desfaz, passo a passo,
Tranquilo e passadiço, 
Engolindo a sombra do dia 
Que se avulta aos arredores
Das simples casas caiadas,
De onde fumegantes cheiros
De pão, cuscuz e carne assada 
Se espalham pelas ruas e becos
Da nossa pequena Várzea.
As mulheres preparam 
Suas novenas,
As mulheres preparam 
Suas iguarias 
E vão se achando 
No fio da meada,
Enquanto dona Neves Mulato 
Tece seus coloridos fuxicos
Com todo prazer e desvelo,
Outras fazem corda de agave, 
Desde meninas, a ver 
As próximas cenas,
Os entraves e tramas 
da mesma novela, 
Enquanto outras barrigas 
Tricotam novelos e crochês
Pelos 'quilaros' da TV.
Enquanto são acesos 
Outros candeeiros,
Enquanto outras velas 
Ardem suas parafinas, 
Enquanto outros seres ao desmantelo
Acendem seus pedidos suas sinas... 
E os meninos continuam não rezando. 
E São Pedro apóstolo, 
Lá no topo da igreja, 
Assiste a tudo de camarote, 
Enquanto o povo ao andor aclama,
Enquanto a outra imagem retorna 
Ao altar-mor, sob uma salva de palmas,
Enquanto o fogo da fé se inflama,
Enquanto o padroeiro não dá as costas
Pra nenhum varzeano, de sorte,
Muito menos pra rua do arame!