segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Sobre o dia de ontem - Sil Villas-Boas



É tudo tão real. Parece que foi ontem. Observar a camisa em azul e a calça jeans, jogadas displicentemente na cadeira. Os tênis revirados no chão. Tudo ficava revirado diante da nudez dos seus muros, medos e limitações, deslizando verdades e sensações ao meu lado. Maravilhoso era mergulhar no mar infinito de tua mente.

Sabíamos nos revelar nas palavras, emanadas de nossas cores, gestos e pensamentos soltos. Cada respiração trocada traduzia-se na plenitude dos versos satisfeitos.

Hoje já não te falo feito antes. Apenas cristalizo minhas vozes interiores em escritos rabiscados no céu. Em canções sonorizadas pelos ventos. Respiro a energia das flores que vêm brincar na brisa. Espalho na cidade o espelho de uma alma aflita, afoita, afeita às emoções retidas na tua íris
  
No dia de ontem a gente se via em nosso olhar. 
No dia de ontem semeávamos versos noturnos 
sob a lua eclipsada.