terça-feira, 7 de janeiro de 2014

POESIA COM FÉ E ÁGUA-BENTA Autor: João Maria Ludugero

 
 
 
 
 
 
 
 
 

 
POESIA COM FÉ E ÁGUA-BENTA
Autor: João Maria Ludugero

Sou poeta varzeano
Minha utopia é caminhar
Sou potiguar eu não nego
Sou filho da poesia
Versando eu faço rima
Rimando trago alegria
Por isso me denomino
Vendedor de fantasia,
Sem esquecer de lembrar
Que ali na minha Várzea
Vendi água-benta um dia

Em meus poemas
Com fé, canto
Eu não me canso
Eu con/verso dano a bulir
No sentimento de um povo
Versejo o velho e o novo,
A dor e a alegria eu canto

Canto e espanto os males
Canto e afasto ziquizira 
Des/quebranteio
Com Credo, reza forte
E até ponho cisco
Em olho-grande
Faço criticas, construo,
Denuncio... encarno
E também peço socorro
Quando peno minha alma,
Quase abandona o corpo 
Da minha terra bendita



De saudades quase morro!

COLIBRI NO CALIBRE DA ALMA DE FLOR, por João Maria Ludugero

COLIBRI NO CALIBRE DA ALMA DE FLOR,
por João Maria Ludugero 

Quando rio, 
Até no riacho há primaveril explicação. 
Mas, que bom seria me achar assim 
oásis-meado em êxtase 
Se esta flor estivesse bem aqui do lado,
cândida e consentida. 
A poesia é um pouco dessa estação 
que me arrima latejante. 
É como rio a escorrer no corpo 
de quem está seco em desvario. 
E o poeta se transfigura em verso 
com bem marejado afinco, 
Reflexo da busca na estação 
do arredar ao esbugalhado estio 
Na medida do impossível, 
desapeado ao esfiapar das nuvens: 
- Sou o eufórico colibri da palavra 
benquista fora do acre dito!

EM/GIRA/SOL/ARADO, por João Maria Ludugero

EM/GIRA/SOL/ARADO,
por João Maria Ludugero


E o sol no girassol avança
Sombra redesenha outra flor
No corpo amar-elo dourado
Aos solavancos,
Até chegar à tarde amena
Em/gira/sol/arada...

E o girassol na tarde recai,
Se curva em reverência:
O sol se vai disposto 
Radiante ao lusco-fusco!

FÉRIAS NO ITAPACURÁ Autor: João Maria Ludugero

 
 
 
 
  
 
 
FÉRIAS NO ITAPACURÁ
Autor: João Maria Ludugero

Eu sei de um lugar,
Que vou lhes falar...
Um lugar onde eu passava
Minhas férias de menino 
Eu ia para o sítio do Itapacurá,
Lá pra chácara do grande Tio João Pequeno.
Chegando lá eu me deparava com riachos,
Com bichos, pássaros e diversas aves a ciscar
Por entre jasmineiros e laranjeiras.
Era uma festa andar descalço pelas nascentes
E tomar banho de rio... Tchibum!
A gente dormia com as galinhas,
Pássaros a se aninhar e o canto dos grilos,
O galo a cantar para as estrelas,
Sem nada a grilar nossa cabeça.
No dia seguinte, acordava bem cedinho.
A alimentar os gansos, os marrecos
E as galinhas-de-angola.
Travesso, corria pro curral
Pra beber o leite da vaquinha mimosa,
Tirado na hora, quentinho
Na caneca de ágata
Toda espumando a fazer o bigode da alegria.
E o cheiro de café coado no saco,
Direto na chaleira de ferro
E as broas de milho assadas
No forno-a-lenha, as batatas-doces.
O aroma se espalhava por todo canto,
E abria o apetite
E não tinha outro jeito, 
Tinha que provar de tudo
Dos quitutes vindos da cozinha de dona Zefinha.
Tudo era tão simples, quanta delícia na mesa farta
De tapiocas, queijos, canjicas, pamonhas e coalhada.
Lembro-me de que dona Zefinha gostava de temperos.
Ela cultivava uma horta no quintal,
Bem cuidada, havia ali pimentões 
E pimentas de cheiro, dedos-de-moça, biquinhos
malaguetas e do reino, mamoeiros carregadinhos
Açafrão, hortelã, erva-doce,
Manjericão, alecrim e tantas manjeronas.
Eu gostava de apreciar essas coisas
De natureza viva tão singular.
Era um lugar que me dava muita paz,
Um enorme prazer de curtir minhas férias de menino.
Eu moleque varzeano, criado solto,
A andar de jumento, a tanger as cabras,
Aprendi, ainda naquele tempo, de verdade,
O quanto pode nos fazer rico
E feliz essa vida simples.
Acabavam as férias. Ia embora mais leve. 
Carregado de saudades. 
Era um barato curtir o Itapacurá,
E voltar pra casa com a alma lavada,
Aliviado com as energias revigoradas,
Maravilhado com as coisas rústicas,
Simples e modestas do Sítio de Tio João Pequeno.

NASCENTES, por João Maria Ludugero

 
 
 
 
  
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

  
 
 
 





 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
NASCENTES, 
por João Maria Ludugero 

Trilhando encantadas vertentes, 
purifico-me em águas 
do Planalto Central,
nos doces mananciais 
vertentes do Cerrado 
das flores ao redor da seara 
do Lago Paranoá, 
das chamas 'reavivadas' 
dos canteiros em flor 
que adocicam o mel 
do lugar a me reabastecer 
de renovadas esperanças 
de paz verdadeira...
Sou admirador 
da bela Brasília
de São João Dom Bosco, 
pelo amor elevada.