segunda-feira, 25 de novembro de 2013

OÁSIS-MEIO-ME! por João Maria Ludugero

OÁSIS-MEIO-ME! 
por João Maria Ludugero.

E no silêncio da tarde amena
Enlevam-me as boas lembranças
Que ainda me ninam... 
Que me contam os segredos do interior
Falando-me do rio Joca e do aconchego
Sem alardes, sem medo da cuca, além
Acompanhado dos acordes do vento
Que sopra a correr dentro e alto
Sem mais trazer notícia ou alento
Falando-me da Várzea de outrora 
E de algo assim ainda muito presente
Da metáfora do distante e do próximo
Do oásis ao meio do deserto 
Do (in)quieto adeus que me deste 
Quando tua ida me deixou tristonho 
Assim embalado na tua saudade
Que sinto doer com todo afinco
Mais ao ensejo do entardecer 
Quando o sol alaranja meu coração partido,
Sem ao menos se despedir dos meus sonhos
Quando, mesmo ao fosforescente lusco-fusco, 

Ainda me vejo aos acordes da Estrela Dalva!

O HOMEM POR INTEIRO, por João Maria Ludugero

João Maria Ludugero em Fernando de Noronha
O HOMEM POR INTEIRO, por João Maria Ludugero.

Hoje não tenho vergonha
De dizer que choro. E choro mesmo!
Não me importa o pensar torto
De outrem a dizer que é sensível 
O homem que gosta de flor.
Elas me fascinam, as flores.
Eu dou o braço a torcer,
Confesso: quando preciso, 
Debulho-me em lágrimas.
Quando sinto saudade, 
Marejo os olhos ao cair da tarde. 
Eu me assumo: sou poeta!
Eu gosto da vida. Eu sou de carne e osso.
Eu tenho um coração que sente. 
Nunca minto pra mim mesmo:
Se carecer, boto a boca no mundo
E choro, doido por um cafuné.
Choro por um dengo, por um beijo
Pra curar meu coração machucado.
E funciona: Acabo menino de bem com a vida
A cavalgar pelas calçadas da rua grande,
Querendo roubar um pingente de lua
Só pra enfeitar teu colar de prata 
Feito homem inteiro a correr
Num galope rasante a encostar
Minha vida na tua, sem medo
De que tudo venha desabar amanhã,
Ao desapear da tal burrinha da felicidade!