quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

NUNCA FUI SANTO, GRAÇAS A DEUS!, por João Maria Ludugero

Eu sei, à toda evidência, 
que nunca fui santo
tampouco almejo ser anjo,
se para tanto tiver que comer 
o pão que o diabo amassa,
não sei se quero ir pro céu,
apesar de gostar tanto de azul.
Mas o que mais me apraz
é arder, é queimar, de certo, 
é crescer rutilante ao sol...
Quero mais é continuar a dançar,
roubar a cena, esconjurar o tédio,
puxar as barbas de Deus, com graça.
Aprecio pois essa ideia brilhante 
de incendiar a alma, a contento, 
fosforescer sem pavio, fazer a festa, 
plena e escancaradamente,
de gozar essas coisas raras 
que flamejam intensas, arteiras, 
traquinas, dentro e fora do purgatório. 
Mais dentro.