sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

MEMÓRIAS DA NOSSA VÁRZEA, MINHA TERRA, MEU AMOR...CHEIROS QUE FALAM: SABORES VARZEANOS, por João Maria Ludugero

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

MEMÓRIAS DA NOSSA VÁRZEA, MINHA TERRA, MEU AMOR...
CHEIROS QUE FALAM: SABORES VARZEANOS 

Autor: João Maria Ludugero

Tapioca, beiju 
Farinha de mandioca 
Piaba, cará, jacundá
Buchada de bode
Sarapatel, picadinho
Bolo preto, raiva,
Carrapicho,
Quebra-queixo
Grude de goma
em palhas de bananeira 
Sequilho, solda, cocada 
Queijo de coalho
Manteiga-de-garrafa
Carne de sol,
Feijão-verde
Farofa, jerimum
Galinha caipira
Caju, umbu, cajá
Seriguela, pitomba
Caldo-de-cana,
Mel, melado e garapa
Etc etc etc...

Para alguns pode soar estranho os nomes supraditos. 
E para outros até serem palavras desconhecidas. 
Mas todos são sabores varzeanos. 
Quase tudo aí em cima se encontra na feira. 

A segunda coisa que sempre faço nas vezes 
em que apareço em Várzea é ir à feira aos domingos.
A primeira é cumprimentar os parentes e amigos. 
Dá gosto andar pela feira. Sentir seus aromas, 
escutar uma ruma de vozes com calorosos sotaques 
de sons arrastados, que soam como cantigas aos ouvidos da gente,
e ver as fisionomias muitas vincadas pelo sol inclemente do agreste. 

Vale a pena curtir essas coisas simples.
Vá à feira aos domingos. Converse com o povo. 
Quando visito Várzea, costumo fazer isto.
E você faz isto sempre? 
Lembrou de todos os sabores aí de cima? 
E os cheiros? Sua memória olfativa ainda os têm presentes? 
O que mais foi esquecido na lista acima? 
Comente. Deixe o seu recado. Partilhe aqui suas lembranças.
Deixe esses aromas, esses cheiros falarem alto, 
pois fazem tão bem ao corpo e à alma da gente!

JENIPAPO, por João Maria Ludugero

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
JENIPAPO,
por João Maria Ludugero.

Outra vez o mesmo caminho
Enquanto estou aqui cheio de saudades,
Eu viajo ao meu interior. 
Ávido e lúcido, a degustar
Aquele precioso licor de jenipapo...
Eu volto a ser quem eu era 
E passo a ser quem sempre fui:
Eterno menino levado da breca!

E quando a manhã me acorda o sonho
Escuto os sons que me chamam arteiro
Eu espio o dia clareando astuto desperto,
anunciando mais vida ao menino medonho

Eu bem sei ao certo o que sinto,
Mas sinto que é isso o que quero.
Quero que corra em meu sangue
Como se isso fosse meu inteiro!

Sinto não poder mais ficar
E vou chorando baixinho, nostálgico
Porque esse adeus que entristece
Deixa uma dor que consinto... 

E vou levando marcas,
Vou carregado de sonho
Apreciando as delícias do jenipapo 
Acordado na lida varzeana,
Mas sem esquecer aquele amor...

Ah, se não existisse adeus...
Se eu pudesse ficar e viver como a gente sempre viveu...
Vou de coração partido, mas peço a Deus para mostrar
O mesmo caminho 'jenipapeado' 
Em que vim pelejando a correr dentro,
Mas dessa vez insisto em ficar para sempre

Acolhido na minha Várzea das Acácias!

MULUNGU, por João Maria Ludugero


MULUNGU,
por João Maria Ludugero.

BELA FLOR DO MULUNGU,
NA TERRA LÁ DO AGRESTE
QUANDO A PLANTA É CORTADA,
RENASCE NESTA SEARA,
MUITO MAIS FORTE E FLORIDA,
TRAZENDO A COLORAÇÃO LARANJA,
SÓ PRA ALEGRAR A NOSSA VIDA!

NATIVA VÁRZEA-RN, por João Maria Ludugero

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
NATIVA VÁRZEA-RN, por João Maria Ludugero.

Acordai sol varzeano, 
Acendei os mulungus nos campos do Vapor 
Vigiai a lua renovada de esperanças 
Com face destemida a contento 
Espantas as mariposas e os gafanhotos 
Que querem fazer festa para as andorinhas 
Margaridas, gravatás e bromélias 
Nos retiros os florais 
Estão vestidos de cor 
No céu esfiapado em nuvens 
Preparam-se as tanajuras 
Doidas e tontas 
Direto à sentinela das gorduras... 
Trovoada vem chegando valente 
Rajadas de ventos 
Soprando a poeira 
Alumiações clareiam sítios 
Canteiros e jasmins em odores 
Preparam seus amores 
Dentro de carnes e unhas 
Tempo bom de pintar 
Encher a Várzea de coisas 
Que amenizam e animam a lida 
A correr dentro e alto pelos umbus-cajás-mangas 
Chegando à compostura dos riachos do Mel ao Itapacurá... 

Salve Várzea das Acácias 
De Bita e de Nina de Joaninha Mulato 
De Nezinho, Virgílio e Terezinha Bento 
Searas e margens do rio Joca ao açude do Calango 
Alegrai-nos lagoas compridas, 
Cantai-nos poemas contentes 
Até a teia de aranha já se instalou 
Pro pouso do atento pirilampo 
Que jurava rebentar em esperteza 
Os ventos do agreste de Zé Borges 

Sacode tudo pra lá e pra cá, vai e vem, 
Arranca alaranjadas flores de mulungu... 
Alveje os telhados ressecados das casas caiadas, 
Salvem as rãs e as coroas-de-frades ressuscitadas 
Com a esperada canção de estio 
Embalando a tarde amena ao lusco-fusco 
De pingos em pingo recolhidos da neblina da noite 
A nos encher os potes de fantasias... 
Santas ventanias e os céus em desatino 
Parecem furiosos e afoitos, azulejados, 
Mas se prestam ao serviço dos alertas 
Agitam-se espairecidos ventos 
Pro lançamento do folguedo 
Das primeiras águas da Várzea... 

Tudo a ver com meu poema, 
Que é astuto e tinhoso 
A se mirar pela estrela d’alva, 
Prateando as estações da lua... 
Mãos cheias de calos e marcas 
Desde o tempo do feijão novo chegando 
Do milho pra fazer canjica, pamonha e cuscuz 
E que tal a paçoca de carne-de-sol 
Com cebola-roxa e farofa de manteiga da terra, 
Pega boi bravo com os laços em riste 
Lá na minha seara potiguar de cabra valente 
Corajoso 
Retirante 
O chamam de cabra da peste, 
Mora nas terras áridas e agrestes... 
Por vezes sacode a poeira aos lajedos 
Tentando dar a volta por cima, e consegue, 
Ganha o pão com enxada afiada, 
Leva a vida com honestidade 
Pacato cidadão dos desafios, 
De tudo padece sem esmorecer, 
Parecem mesmo enlevos de Deus 
Dentro da boa-fé que o leva na lida... 
Mas pra tudo tem jeito 
Num bom recomeço 
Pela Várzea a dentro!

MEMÓRIAS DE UM MENINO VARZEANO (1ª parte), por João Maria Ludugero


MEMÓRIAS DE UM MENINO VARZEANO (1ª parte), por João Maria Ludugero.

Eu era ainda muito criança, mas já observava a vida simples das pessoas do lugar. Tudo era muito puro e natural. Naquele lugar, num recanto do mundo, a vida corria devagar, entre pescarias no rio da Cruz e o coqueiral do rio Joca, a paz não tinha pressa e a alegria sempre era bem-vinda. A alegria andava solta e saltava aos olhos ao descer pelo sangradouro do Calango, que vertia sua água rumo ao pequeno terreno alagado da Várzea, transbordando pelos bueiros da estrada de barro que dava para o matadouro municipal. Ali alguns meninos treinavam uma "pelada" com bola-de-meia. E era o máximo jogar naquele terreno de onde brotavam capim e junco. Ao longe e perto, pastavam as ovelhas e os borregos do Seu Nezinho. E no caminho de estrada de chão que dava para a fazenda Maracujá, entre clarões de marmeleiros e mata-burros seguiam solenes os jegues carregados com seus barris de água potável do Calango. Vida boa, vida mansa, a vida varzeana. Tão pacífica e hospitaleira a cidadezinha que atraía até mesmo bando de ciganos que teimavam em ler a sorte da gente.



Das minhas lembranças de menino, já faz algum tempo, mas não esqueço da minha avó paterna, dona Dalila, que toda manhã me conduzia ao Açude do Calango, com o seu pote de barro, rodilha na cabeça, a buscar água de beber. Lá mesmo, na beira do açude, eu enchia os olhos e limpava a visão no imenso espelho de luz que o sol fazia refletir nas águas do Calango, enquanto dona Dalila enchia sua cuia ou a lata de óleo Benedito e me banhava de corpo inteiro. Eu, despido de tudo, sentia-me um pequeno rei, parecendo que ia ser batizado naquela enorme bacia de zinco. Voltávamos para casa, de corpo e alma lavados. Inocente da vida, percorria o caminho do começo, de volta para casa. E a nossa casa ficava na Rua do Arame. E a nossa casinha, que na verdade era da nossa avó Dalila, era toda de pau-a-pique. E a nossa rua tinha um cheiro bom de pão, era o cheiro que vinha da padaria de Nenê Tomaz. Eta, que cheiro bom! Tem coisas que a gente leva para a vida toda.

E as recordações não param por aí. Lembro-me das missas aos domingos. Logo me vem a lembrança da minha avó, empunhando o seu terço de contas azuis. Ela era muito poderosa, uma senhora de muita fé. Só sei que a minha avó Dalila, que era baixinha, com o seu terço na mão tinha a força de Sansão. Nós deixávamos a igreja, depois de adorar a São Pedro, e seguíamos direto para as barracas da feirinha na rua Grande, e ali mesmo no meio da rua, no meio da gente, entre feirantes e marchantes, diante de verdadeiras montanhas de abacaxis, bananas, jerimuns e garajaus de rapaduras, camarões e peixes, degustávamos os quitutes (picadinhos) de dona Sinhá e o bolo preto com suco de maracujá da banca de dona Zidora. Não esqueço de Seu Antonio Lunga a vender suas cordas de caranguejo e aratus. Ali havia tanta coisa gostosa, sarapatel, sequilos, cuscuz de coco, etc. Lembro-me de tanta gente, que prefiro não citar os nomes para não esquecer de ninguém.

Tanta gente, tantos momentos bons, tantas festas... aliás, tudo era festa: até quando a dona Dalila, minha avó, estourava milho amarelo na panela de barro (usando a branca e fina areia do rio e não óleo para fazer pipocas). A gente era humilde e não dava para usar sempre óleo para fazer pipocas, então, apanhava areia do rio Joca e tudo era tão saudável. E quantas vezes minha avó dividia o pequeno balde de leite cabra que ela criava solta na Várzea. Eu sempre levava menos de um litro de leite de cabra para fazer pirão. Claro, completava com água, para render a porção. E tudo era tão bom, apesar de minguado. A gente era simples, não tinha muita coisa não, era pobre mesmo, mas sempre com tamanha dignidade, essa dignidade que a gente traz de berço para a vida toda. Quem a tem sabe do que estou falando. Nunca tive vergonha da minha origem humilde. Tenho mesmo é muito orgulho de saber de onde eu vim. E disso, não posso nunca negar, eu tenho estirpe, eu sou filho do soldado Odilon Ludugero da Silva e da dona de casa dona Maria Dalva da Silva. Dona Maria? Sim, ela mesma. Dona Maria de "seu" Odilon. Eta, família boa essa família de Seu Odilon. Que Odilon? Odilon de Dona Dalila, amiga de madrinha Joaninha Mulato. Madrinha Joaninha, mãe de Nina. Quem não se lembra do banco de Nina, quem não sentou ali para tomar ciência das coisas da cidade?

Tem coisas que não esqueço nunca, que vivem permanentemente na minha memória. Acho gratificante recordar. Por exemplo, a montagem da árvore de natal da minha avó Dalila. Ela pegava no roçado um pequeno arbusto e o envolvia todo em chumaços de algodão. Ela plantava aquele galho seco num lata de querosene 'Jacaré' cheia de areia do rio. De repente, como num passe de mágica, a árvore ficava toda enfeitada repleta de bolas de vidro coloridas. Mais parecia um sonho quando uma bola se quebrava, apesar de todo cuidado dispensado. Mas o sonho da gente não se quebrava, era um sonho acordado, tão humilde e tão simples, mas tudo era tão honestamente feliz.

Lembro da casa da minha avó, na rua do Arame, na sua casinha simples, toda de taipa e chão batido. Dona Dalila era uma rezadeira senhora de pulso. Ela mesma fazia a sua horta no quintal, onde plantava de um tudo: coentro, cebolinha, erva-doce, pimentão, tomate, quiabo e um pé de abacaxi. Esse pé de abacaxi vingou um fruto só, que pouco cresceu, mas logo ficou maduro. Lembro que minha avó dividiu aquele fruto para toda a família. Todos puderam provar do minguado abacaxi ali produzido. Minha avó tinha tão pouco, sua cama tinha colchão de junco que ela mesma tecia. E com tão pouco, mas sabia repartir o pouco que tinha e, ao reparti-lo, sabia multiplicar esse pouco que muito rendia ao ser dividido. Quanta sabedoria dona Dalila repassava com seu exemplo, com suas atitudes, que, mesmo sozinha e viúva, criara tantos filhos, sem nunca se deixava esmorecer. É assim que lembro a minha avó, com todo carinho.

E por falar de boas recordações, não é demais expor mais uma grande lembrança, esta agora com a minha irmã mais velha, a Lúcia de Seu Odilon, quando todos nos juntávamos na época das festas de fim de ano, à tardinha, imbuídos pelo espírito natalino, para confeccionar cestinhas coloridas de papel crepom, as quais seriam recheadas com castanhas de caju assadas, e eram vendidas pelas ruas da cidade, penduradas num cabo de vassoura. Tudo tão rústico, tão simples, mas divertido, tudo acalantado ao som de músicas natalinas que partiam do centro do mercado central. E o sino da matriz quebrava o silêncio da tarde, trazendo o timbre festivo daquele tempo bom, em que éramos tão felizes, e com tão pouco.

Tem um episódio da minha vida, que gosto de relembrar, e com orgulho. Foi durante a vinda de Frei Damião para Várzea. A cidade toda em festa para receber o eminente padre. Eu fui vendedor de água benta. Pegava água nas cacimbas do rio e enchia garrafas de água mineral, todas tampadas com rolhas de mulungu. Fui vendedor de água benta, com muita fé e orgulho. Eu só sei de uma coisa: nasci para acreditar que um dia eu chegaria lá, lá aonde só chegam os vencedores. Não medi esforços, não cruzei os braços. E aqui estou eu. João Maria, advogado em plena Capital do Brasil. De Várzea para o Brasil. Eu tinha certeza que eu chegaria lá. Uma coisa já me dizia. Eu acreditei.

Ah, um dia fui convidado a trabalhar(tomar conta) dos livros da Biblioteca Municipal ângelo Bezerra. Única Biblioteca de Várzea. E eu só tinha 12 anos. Ali no meio de todos os livros, de todas as palavras, números e letras, eu viajei pelo mundo, eu conheci o mundo todo, eu dei a volta pelo mundo... E juro, nunca mais parei.

E como não me orgulhar de tudo isso? De onde eu vim me interessa muito. Eu tenho raízes que vou eternizar, das quais trago imenso orgulho. Eu vim de lá. Não tenho como nem porque negar. Tenho orgulho, sim, de ser hoje JOÃO MARIA LUDUGERO DA SILVA, Advogado (OAB-DF nº 13.231), residente e domiciliado em Brasília, Capital da República, exercendo o cargo de Analista Processual (concursado) junto à Procuradoria-Geral da República/Ministério Público Federal.

Eu vim, eu vi, eu venci. Eu sou um vencedor. Eu sou um homem muito feliz e de bem com a vida. No começo, tudo parece difícil, mas não adianta baixar a cabeça às adversidades. Elas sempre vão existir. Mas não tenho medo de carregar pedras. A gente acaba por aprender com elas. Os obstáculos funcionam como estímulos aos que sabem vencer. E o que a gente pode fazer com as pedras do caminho? Façamos degraus, para a subida, para o alto. Com paciência, amor e Deus a gente pode muito, aliás, alcança tudo. Estou aqui e não pretendo parar tão cedo. Aos cinquenta anos estou num grande momento da minha vida, talvez no meu melhor momento. Agora mesmo estou a cursar minha Pós-graduação em Direito Penal, com o objetivo de aprimorar meus conhecimentos, aprender mais, ser uma pessoa melhor, um ser humano que acredita que o sonho é possível, basta que a gente não cruze os braços, mas vá à luta, com unhas, garras e dentes. Quando a gente quer, Deus ajuda e tudo acontece. A alavanca propulsora está na nossa vontade e no coração. Deus nos orienta e 'não pense que a cabeça aguenta se você parar'.

Deixo aqui esses fragmentos de recordações, eloquentemente por mim elaborados. Hoje estou em Brasília, capital da República, tenho objetivos na vida e uma carreira profissional claramente bem definida.

Já dizia o Pe. Antonio Vieira, em um de seus Sermões: "Toda vida humana, se não trouxer sempre diante dos olhos o fim para que nasceu, é nave sem norte, é cego sem guia, é república sem lei, é dia sem sol, é norte sem estrelas, é labirinto sem fio, é armada sem farol, é exército sem bandeira, em fim, é vontade às escuras, sem luz de entendimento e que lhe dite o que há de querer ou fugir".

Eu sou um ser humano que tenho definido meus objetivos clara e realisticamente e não desperdiço meu tempo, recursos, esforços e, muito menos, energia, porque sei o que quero e que caminho devo seguir. Tenho objetivos e dou sentido à vida. Alcançá-los, é concretizar os próprios sonhos. Em síntese, os objetivos claramente definidos são sonhos com datas fixas e pré-determinadas. Sou um vencedor, trabalho no que mais me agrada, tenho uma filosofia de vida e trabalho. Tenho uma família maravilhosa, amadureci e cresci. Não sou de adiar os meus sonhos ou mesmo a abdicar do planejamento estratégico da minha vida. Esse é o segredo. Sou um dos homens mais felizes do mundo. Minha maior felicidade: meus filhos Igor Gabriel e Jordana Majella Ludugero.

NOSSA VÁRZEA DE SÃO PEDRO APÓSTOLO, por João Maria Ludugero

NOSSA VÁRZEA DE SÃO PEDRO APÓSTOLO,
por João Maria Ludugero.

Saudade e pura lembrança
Invadem minha vida sem arremedo
Do tempo que fui arteiro menino
Aos magotes levados da breca,
Soltando traque e rojão
Juntando-se à vizinhança
Nos folguedos de São Pedro

Ao clarão das fogueiras
Que tão bonito momento
Vejo em forma de clareiras
O Santíssimo Padroeiro
Alegrar famílias inteiras
Por esse acontecimento

Oh glorioso São Pedro,
Belos os acordes em festa
Na praça pinta um clima gostoso
Pura fantasia de menino medonho
Ouço a voz do Cristo majestoso
A cada badalar do sino em acorde de sonhos

Lembrança viva da Várzea
Vista da torre da Igreja
Quem partiu da nossa terra,
A saudade no coração lateja
Mas, São Pedro Apóstolo, seu alvo nunca erra
Abençoa a cada filho por mais longe que esteja!





JORDANA E IGOR GABRIEL: ACORDES DA MINHA VIDA, por João Maria Ludugero


JORDANA E IGOR GABRIEL: 
ACORDES DA MINHA VIDA,
por João Maria Ludugero.

Só de manjar a lida,
Vê-se que a vida pode ser dura com a gente… 
Nos jogar às estantes e paredes, virar páginas,
Nos vender ilusões a correr dentro aos solavancos,
Nos furtar a cor de alguns sonhos desfolhados.
Por mais que ela nos moa, lembre-se: 
É no chão, onde tudo nasce, brota e floresce. 
Hoje, posso ser pó, mas amanhã serei flor ou beija-flor.
Só lamento informar: 
Não estou mais na ponta dos pés, cubando a vida. 
A minha mais nova versão agora enfia a face e vive!