domingo, 24 de abril de 2011

Estação

Por: Fernanda Villas-Boas


Parei na estação, cabelos ao vento, vestido esvoaçante, meio desnorteada com tantas vozes. Trago na mala meus amores, minha fé, sorrisos, doces, frutas e quintais. Ainda uns cacarecos que não consegui deixar: fotos, telefonemas, músicas, brincadeiras de roda, banquinhos e um raio de sol teimoso que insistiu em me acompanhar.



Pessoas passam ligeiras, rostos sérios e passos apressados. Penso em lhes oferecer um café – sim, nos cacarecos ainda coloquei o velho bule amassado, o pote de biscoitos e a toalha de xadrez - mas não há tempo, devem ter coisas mais importantes para fazer.

De longe, soa o apito que anuncia lágrimas e sorrisos, chegadas e partidas. O trem vai parando devagar, cuspindo fumaça e barulho.

Apressada, junto tudo e embarco. Encosto a cabeça na janela, aliviada e ansiosa pelo próximo destino. Qual será?

Não sei, não importa...Tudo o que importa já está comigo.

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