domingo, 17 de julho de 2011

ESPLENDOR

Autor: João Ludugero

Ao amanhecer,
Abrace-se mais demorado,
Alongue o corpo e o espírito
Abra-se com as janelas,
Desabotoe-se com as cortinas
E deixe o fascínio do sol entrar
Devagar pelos poros,
Pelas veias, capilares e narinas
Até a sentença das sombras se dissipar
Na presença dessa intensa luz
Que acenderá a aquarela
A iluminar todos os vãos da casa.
Agora, toda iluminada a mente,
Deixe sua vida correr solta,
Parecendo uma criança alada
Com raios de sol em sua trança,
Com o sol a contemplar sua dança
Livre de toda e qualquer amarra,
Ao som de uma solene cantiga 

Que só toca dentro da sua cabeça, 
E que só conduz ao mais completo êxtase!

Aurora


 Por Marília Felix

            A aurora desperta reluzente como quem tem algo bom para me oferecer, me lança forças que andei buscando em outras atmosferas cativantes, mas descontentes.

Passos tortuosos foram dados, espinhos me feriram deixando marcas que só agora começam cicatrizar, com o soar dos ventos que anunciam uma nova canção.

Joguei sementes por onde firmei minh’alma.
Colhi os frutos amargos e eis o tempo que os frutos doces enchem minhas mãos.
Ah, se esse momento pudesse eternizar!
Mas não teria graça, a luz em excesso incomoda.

Às vezes, é preciso o vazio, a penumbra, para almejarmos as coisas simples, que podem nos tornar radiante a cada dia, dependendo do olhar que se derrama.

É tosco para quem não enxerga além, para quem não sente o querer, para quem não se dá inteiramente.

E quando a existência parecer insignificante, olharei novamente para o horizonte e lembrarei de que a inércia não faz parte dessa trama, que muitas ‘águas irão rolar’ e o melhor ainda está por vir.

(Rogna Costa)