segunda-feira, 16 de maio de 2011

Para alegrar as segundas-feiras




Soneto de um domingo - Vinícius de Moraes
Colaboração: Sidarta Reis


Em casa há muita paz por um domingo assim. 
A mulher dorme, os filhos brincam, a chuva cai...
Esqueço de quem sou para sentir-me pai

E ouço na sala, num silêncio ermo e sem fim, 
um relógio bater, e outro dentro de mim...



Olho o jardim úmido e agreste: isso distrai 


Vê-lo, feroz, florir mesmo onde o sol não vai 


A despeito do vento e da terra que é ruim. 


Na verdade é o infinito essa casa pequena 


Que me amortalha o sonho e abriga a desventura 


E a mão de uma mulher fez simples, pura e amena.


Deus que és pai como eu e a estimas, porventura: 


Quando for minha vez, dá-me que eu vá sem pena 


Levando apenas esse pouco que não dura.