domingo, 24 de novembro de 2013

GRAVATÁ, por João Maria Ludugero

GRAVATÁ,
João Maria Ludugero. 

Não é só de manjar, 
Mas lhes asseguro, 
Sou quase sem caule 
Da família das bromélias, 
Sou primo do abacaxi, 
Resistente e de vida longa; 
Minhas folhas são duras, 
Verdes, com a base ou 
As extremidades vermelhas 
Produzo uma fibra usada na confecção de cordas, 
Tapetes, barbantes e mantas para selas. 
Minhas flores têm cálice branco 
E pétalas roxas a enfeitar os Seixos 
Lá da Várzea de Joaninha Mulato! 
Meu fruto é de extasiante amarelo 
Cheio de sementes e de um sabor adocicado, 
Convidativo, mas que corta a língua a gosto... 
João Ludugero comeu muito da minha fruta 
Que apetece até pela exótica essência 
Apesar de que o céu da boca dilacero!

BIOGRAFIA, João Maria Ludugero

BIOGRAFIA,
João Maria Ludugero


Assim é a minha biografia: 
Eu sou nascente do olhar poeta, aprendiz
Navegante na peleja dos rios da vida a alvorecer, 
Sou pássaro imerso nas águas deste cotidiano, atento.
Tenho amigos, muitos amigos, depois de tantas luas,
Amigos que já se foram para o andar de cima,
Amigos que partiram, amigos que chegaram com o sol,
Outros que quebraram o semblante contra o tempo, 
Outros que geraram gerânios nos canteiros do jardim; 
Eu sou João Maria Ludugero, menino medonho;
João maduro que odeia o que acha fácil, 
Que não gosta do que se obtém sem dificuldade, 
Pois João Ludugero gosta das funduras, dentro e alto 
(e sabe que o mar aonde o rio desemboca é feito de abismos abissais); 
Ludugero procura-se achar contente, na meada do fio

E sobrevoa adiante na luz do vento sobre no mar!

JOÃO MARIA LUDUGERO, UM DOADOR DE CORAÇÃO - SOU RIO A DESAGUAR EM RENOVADAS ESPERANÇAS! por João Maria Ludugero.

Joca 397
JOÃO MARIA LUDUGERO, UM DOADOR DE CORAÇÃO
- SOU RIO A DESAGUAR EM RENOVADAS ESPERANÇAS!
por João Maria Ludugero.


Há gente que fica pra sempre
na história da história da gente...
E a esta gente darei tudo o que possuo:
veias, vasos e capilares, tudo a seu tempo,
com suor, sangue e minha riqueza a céu aberto: 
EU
e comigo doarei um coração
recauchutado, refeito,
mandando às favas as gravatas
e até os public-relations,
bem-quero apostar no presente único
do ex-cara velho,
que faz poesia como quem carece
mais que água e pão.
Assim aprendo a crescer
e a me multiplicar em letras.
Sim, peças a mim, estou pronto
a tecer o meu ser.
Sou poeta... noite, lua, dia, sol,
mente sã em terra nua;
Feliz, sou rio a desaguar em novas esperanças...
Escrever é o meu tesouro de diamantes.
Tomai, bebei em comemoração, este é meu corpo desnudo...
nele posso ser só o que eu quiser!

 

 

MEU MUNDO DA POESIA, A PARTIR DE VÁRZEA-RN, Por João Maria Ludugero, Advogado, Escritor/Poeta.

MEU MUNDO DA POESIA, A PARTIR DE VÁRZEA-RN,
Por João Maria Ludugero, Advogado, Escritor/Poeta.

Eu sou poeta. Eu sou um escritor que burila as palavras com o intuito de mexer com sentimentos. Eu não vivo a lamentar que a melhor poesia não volte mais. Aliás, ela sempre volta, pois a poesia está viva, a toda hora se faz poesia, horas a fio.Se a gente observar, em algum canto da nossa casa está ao menos um livro de poesia. Se não há nada escrito, nenhum livro sequer, há o sentimento solto pelos corredores da casa, talvez até estampado num vaso com uma flor esquecida num canto. Porque poesia é sentir.

Denota-se que sempre existe alguém produzindo poesia, elaborando a história particular de cada poesia, de cada sentimento. Eu, com toda modéstia, faço poesia, recrio o mundo, sem a necessidade de ser cabotino.

Eu gosto de escrever, de fazer poesia. Sempre gostei de buscar o que se pode buscar no âmago da palavra, o que se pode sentir. Isso nasceu comigo, é algo que não dá para desvincular da minha pessoa, não há como dissociar isso de mim, pois, com minhas reflexões doces-amargas, amoráveis-burlescas, eu procuro transformar uma madeira tosca (a vida com ausência de felicidade) em obra de arte (a vida feliz). Contudo, não me preocupo se a poesia vai sair com rima. Dou ritmo ao poema, ele flui e acontece. Poema feito, redigido no papel, leio e releio o escrito. Apago, borro, passo de novo a borracha. Acerto as arestas, o poema toma forma.

Eu sei que existem vários estilos poéticos, os mais rudes ou eruditos, impregnados da mais imaginativa e emocionante poesia. Eu simplesmente vou tocando as ideias, o sentimento verdadeiro, dou força às palavras. É a força da poesia, ou melhor, é o mistério da poesia. Sem necessariamente me embriagar, drogar-me para descobrir o melhor mote do caminho poético.
Alguém pode me indagar: – Quem é você poeta, vindo lá de uma cidade tão pequena feito Várzea, qual é seu mundo, poeta varzeano? Um mundo próprio. Um mundo com jeito simples de viver. É o mundo-da-lua?

Meu mundo, é o mundo das palavras, um nicho de autênticos significados, um mundo real e não imaginário, o mundo que faz o coração sentir! E vou assim, escrevendo o que o coração manda, orientado pela minha cabeça de poeta. E vou avançando o meu caminho, sem medo, sem pressa, objetivando tocar o coração de alguém, ou, quem sabe, tocar o sentimento, sem esperar nada em troca. Apenas escrevo para que as palavras não se percam ao vento. Gosto de guardar minha poesia, dentro de arquivos ou escaninhos vivos, para que o registro fique para a História. Sou seguro de mim, mas gosto de me assegurar que amanhã alguém terá minha poesia para ler, mesmo depois da minha partida.

Eu gosto de dizer, sempre, e repetir com orgulho: Várzea me deu prumo, bússola e norte para seguir a escrever o que sinto. Viver ali me deu inspiração para ser o que sou: Advogado, Escritor e Poeta. A gente nasce para ser o que vem a ser. Eu sempre quis ser o que sou. E assim sou o homem mais feliz do mundo! Sou potiguar! Que beleza! E a nossa Várzea, cidade pequena, que nada! Ela é grande demais no coração da gente!

INÍCIO DE DOMINGO EM VÁRZEA-RN, por João Maria Ludugero

INÍCIO DE DOMINGO EM VÁRZEA-RN,
por João Maria Ludugero.

Início de domingo,
Não se pede cachimbo;
Ouve-se o bem-te-vizinho,
Ali no pé de graviola de Seu Odilon Ludugero;
Come-se tapioca, beiju e caldo de cana-caiana...
E vamos às estripulias na ribanceira do rio Joca!
Esqueçam de cortar/aparar os pelos da venta...
Nem radares captam meus acordes de sonhos!
Acolham-me no berço da Várzea das Acácias,
Pois a primavera bem se achega ávida
Dentro e alto sem medo da cuca, além

Do meu coração de passarinho!