sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

RENASCER, por João Maria Ludugero


Tem horas em que me acho 
Com a poesia na veia. 
Centelha, um arder assim faísca 
Renascendo desde a raiz do cabelo,
Um flamejar desde os poros, 
Pelos pêlos, pela pele, sobrancelhas
Até causar um incêndio em acordes,
Alto e dentro do interior. Até às vísceras. 
Imagino como pode uma fagulha 
Se imensar de tal eloquente maneira 
Chegando a línguas de fogo, labaredas.
Entrementes brilhos ou uma armadilha? 
Acendo-me em ideias inusitadas, 
Fosforescentes. 
Entro nelas em combustão, 
Esfumaço ao vapor.
E não tenho receio 
De chegar às cinzas, 
Entretido num teimoso recomeçar. 
Nenhum fosfeno de ter 
Qualquer des-razão me atrai,
Porque correr dentro da poesia 
Me perfuma a alma, 
É mesmo um meio atraente
De a partir do ser 
Acontecer em luminosa essência.