sábado, 29 de novembro de 2014

MINHA VELHA INFÂNCIA, por João Maria Ludugero

 
MINHA VELHA INFÂNCIA,

por João Maria Ludugero

E eu era tão feliz
Avarandado pela ciranda
Das horas sem catracas,
Quando eu era criança
Lá na minha pequena Várzea,
Tudo era demais gratificante
Fizesse sol ou chuva.
Tudo era bom, radiante que só vivendo,
Não havia tempo ruim,
havia um bocado de sonhos
De padaria, nuvens de algodão, quebra-queixos
E puxa-puxas de papos de anjo
a adocicar a rua grande.
Era sorrir para tudo, sem vexame
Se havia choro, era só em face de um fútil não
Não havia pressa nem embaraço,
Disparada só atrás da pipa, da bola e dos borregos.
O presente era um adormecer em dádivas do porvir,
Um despertar de futuro com cheiro de fruta bicada.
A escola, o cheiro bom do livro, caderno, borracha, lápis.
Tudo tinha um cheiro de sabedoria e coisas novas
Era um dia após o outro, sem alvoroço.
Era ser a esperança do viver contente na Várzea,
Do saltitar vibrante da alegria de sentinela
Do grito puro que alerta só de manjar
Era ser criança cheia de esperança,
Era ser a verdade sem a cuca pegar,
O sorriso sem malícia,
o correr para o banho de rio ou de bica,
O doce deleite que encanta
e renova o dia-após-dia,
O cada amanhecer de ser
criança a correr os olhos,
A pintar o sete
arco-irizando a aquarela-vida.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

VÁRZEA-RN: UM BALAIO DE ARRIBADAS ESPERANÇAS, por João Maria Ludugero

 
 
 
 
 
 
VÁRZEA-RN: UM BALAIO DE ARRIBADAS ESPERANÇAS,
por João Maria Ludugero

Eu quero desenhar meus próprios pés
na areia do rio Joca, que banha a Várzea das Acácias.
Eu quero ganhar o mundo em esperanças renovadas,
arribar minhas asas além do Vapor de Zuquinha,
seguir das quatro bocas em diante,
chegar aos Seixos, ao Maracujá, aos Umbus,
ao Itapacurá da casa-de-farinha de tio João Pequeno,
diminuir meus longes acordes da seara de Ângelo Bezerra
e chegar mais perto da terra dos Caicos,
da inesquecível Maria de Franco, de Biga de Ana do Rego,
de dona Zidora Paulino, das soldas, raivas e carrapichos
de dona Carmozina, do bolo-preto de Marinam de Lica,
dos torresmos suínos de dona Rosa de Antonio Ventinha,
da rezadeira Ana Moita que afasta os quebrantos, os encostos,
as ziquiziras, dores-de-dente, ínguas e espinhelas caídas…
Porque todo o resto que eu faço na vida está vinculado
ao meu chão-de-dentro, a minha Várzea das Acácias
de Severino 'Silva Florêncio' Sobrinho...

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

VÁRZEA-RN: MEU AGRESTE SOB A LAVRA VERDE PELO VÃO DO ESTIO, A CORRER DENTRO E ALTO, por João Maria Ludugero

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

VÁRZEA-RN: MEU AGRESTE SOB A LAVRA VERDEPELO VÃO DO ESTIO, A CORRER DENTRO E ALTO,por João Maria Ludugero

Quando o rio Joca estava em seu leito de estio,Ele notou que sua Várzea estava chorando ao Vapor.- Por que estais chorando, Várzea?, perguntou ele.Porque o verde da seara de Ângelo Bezerra está prestesA ser extinto e estará apenas verde-musgado nos lajedos dos Seixos...

São Pedro Apóstolo reuniu um bocado da mais bem apanhada energiaQue lhe enaltecia desde o interior e me falou as mais singelas, belas e preciosas palavras, o que seriam esperanças pra lá de renovadas,A correr dentro e alto além dos juazeiros da Várzea das Acácias:- Poeta João maduro Ludugero, astuto menino medonho, arteiroCabra-da-peste, nunca enfadonho, seja uma luz para si mesmo.Não tenha jamais qualquer medo ou receio da cuca pra lá de esbaforida.Mas. se preciso for, assanhe até mesmo todos os pelos da venta!


domingo, 23 de novembro de 2014

O CHÃO-DE-DENTRO DA VÁRZEA DAS ACÁCIAS, por João Maria Ludugero

O CHÃO-DE-DENTRO DA VÁRZEA DAS ACÁCIAS,
por João Maria Ludugero

Quando adentramos
totalmente a Várzea das Acácias
de São Pedro Apóstolo padroeiro,
o chão-de-dentro da seara de Ângelo Bezerra
– por mais imperfeito que seja –
torna-se muito mais interessante,
rico, singelo, contente e bonito,
pois ele não consiste em outra coisa
senão em tantas outras mil oportunidades
para sempre
VARZEAMAR...

sábado, 22 de novembro de 2014

VARZEAMADO COLIBRI DO AGRESTE VERDE, por João Maria Ludugero

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 







 
 
 
 
 
 
 


VARZEAMADO COLIBRI DO AGRESTE VERDE,
por João Maria Ludugero

Deixa falar de ávidas e belas palavras
Que a minha cuca tem para te dizer!
São talhadas no Vapor de Zuquinha
Reverdecidas na copa dos juazeiros.

Têm arrebóis em mulungus de flores laranjas,
São como sedas flamejantes a arder
Na tarde amena do açude do Calango,
Deixa dizer-te os lindos versos tão raros
Que foram feitos só para te varzeamar!

Mas, meu lugar, eu já lhe digo ainda tão feliz
Que as flores de tuas acácias são tão bonitas
E ficam a correr dentro e alto na composição
Dos singelos versos em que amorteço dores
Pelo marejar dos meus radiantes olhos d'água
Que brotam em saudades no coração partido...

Amo-te tanto! E nunca te esqueço...
E nesse adejar de astuto colibri, Várzea,
Guardo os versos mais lindos que te fiz!