terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Semeando Rosas


Colaboração: Silvério Reis

Uma Rainha de Portugal, de nome Isabel, ficou conhecida por sua bondade e abnegada prática da caridade.
Ocorre que seu marido, o Rei D. Diniz não gostava das excursões da Rainha, pelas ruas da miséria.
Muito menos das distribuições que ela fazia entre os pobres. Não podia admitir que uma mulher nobre deixasse o trono das honras humanas para se misturar a uma multidão de doentes, famintos e mal vestidos.
A bondosa Rainha, no entanto, burlava a vigilância de soldados e damas de companhia e buscava a dor nos casebres imundos, levando de si mesma e de tudo o mais que pudesse carregar do palácio.
Não levava servas consigo, pois isto seria pedir a elas que desobedecessem às ordens reais.
Era humilhante, segundo o seu marido, o que ela fazia. Como uma Rainha, nascida para ser servida, realizava o trabalho de criados, carregando sacolas de alimentos, roupas e remédios?
Certo dia, ele mesmo a foi espreitar. Resolveu surpreendê-la na sua desobediência. Viu quando ela adentrou a despensa do palácio e encheu o avental de alimentos. Quando ela se dirigia para os jardins do palácio, no intuito de alcançar a estrada poeirenta, nos calcanhares da fome, ele saiu apressadamente do seu esconderijo e perguntou:
Aonde vai, senhora? Ela parou, assustada no primeiro momento. E, porque demorasse para responder, ele alterou a voz e com ar acusador, indagou:
O que leva no avental? Levemente ruborizada, mas com a voz firme, ela finalmente respondeu: São flores, meu senhor! Quero ver! Disse o rei, quase enraivecido, por sentir que estava sendo enganado. Ela baixou o avental que sustentava entre as mãos e deixou que o seu conteúdo caísse ao chão, num gesto lento e delicado. Num fenômeno maravilhoso, rosas de diferentes tonalidades e intensamente perfumadas coloriram o chão. Consta que o Rei nunca mais tentou impedir a rainha da prática da caridade.

8 comentários:

Silene Neves disse...

Querida Sil...

Que texto maravilhoso! Eu amo as rosas... são mesmo símbolo de amor universal e verdadeiro. E amar e fazer o bem é mesmo como semear rosas e flores!

Que sua vida seja cultivada como quem cultiva rosas... Beijo doce e rosa!

Sil
Sua e sempre Amiga

Ps: Quando puder visite:http://versosvermelhos.blogspot.com Não deixe de ler na barra lateral a página "Sobre esse lugar". Te espero lá! Bjo.

Suzana Martins disse...

As rosas ficam guardadas num coração sentimental!!

Beijos linda!!^^

Tatiana Kielberman disse...

Querida Sil,

Linda fábula e muito verdadeira!!

Tocou meu coração... lembrando que temos sempre que deixar a alma reger cada um de nossos atos!

Beijos, amada!

Adoro passar por aqui...

ROSANA VENTURA disse...

L I N D O texto!
bjosss

Max Psycho disse...

Eu amo as rosas mas prefiro as trepadeiras

Janaina Cruz disse...

A bondade perfuma e cativa, o que for de sombras será de luz, algum dia, pois a bondade vem como um sol, despertando as cores que estavam adormecidas...

Amei o jardim de girassóis, passo a segui-lo,

Abraços e étimo rostinho de semana pra ti.

Anônimo disse...

Deus sempre da um jeito de se manifestar de forma magnifica para quem o acolhe no maior dos seus mandamentos: Amar ao próximo como a si mesmo!

Parabéns Sil.

หคтнყ disse...

Que texto magnífico.

A caridade é um dom.

Parabéns