sábado, 23 de julho de 2011

BALADA PARA UMA VACA LOUCA - ANTES DE SECAREM SUAS TETAS

Autor: João Ludugero

Se tiver que chorar,
que chore suas lástimas,
entorne suas lágrimas
aos cântaros,
antes que sequem
seus olhos d'água.
Chore de alegria,
se preciso for,
arremede seus mugidos,
estire a língua aos medos,
refaça-se em bocas e caretas
ou desate a tristeza,
pois mesmo depois
do leite derramado,
o importante é pensar
que a vida continua
e a vaca não morreu,
que está viva,
apesar de agora louca,
e segue outras bermas,
após sair do atoleiro do brejo
com as próprias pernas,
só carecendo, de fato, 
não de um empurrãozinho,
mas de ficar sempre alerta
para não escorregar em corte,
na engorda das barras do dia
ou na calada da noite,
ao deleite de outrem,
nas escancaradas mamatas
dos filhos da outra mãe.

3 comentários:

Sil Villas-Boas disse...

Só mesmo um poeta como você para fazer uma balada para um animal desengonçado feito a vaca. Versos show de bola novamente. Parabéns, João.
Beijo,
Sil

Tatiana Kielberman disse...

Sempre rir!

Beijos, querido...

O Profeta disse...

Calcei luvas, branca e negra
Afastei os braços ao abraço
Encontrei um pássaro feliz
As uvas são amargas no Mês de Março

Anos, dias, vidas que se perdem da vida
Voltaram com o Sol as Andorinhas do Mar
Quantas vagas correram adiante
Quantas perdidas penas entre o partir e chegar

E as pedras da ilha…
As pedras da ilha não têm idade
Não tem limite o amor quando é amor
Não tem medida a extensão da saudade

Doce beijo