domingo, 25 de novembro de 2012

AZINHAVRE, por João Maria Ludugero



Cheiros e ruídos  invadem a casa, 
As molduras dispostas na parede  
Ganham cores cinzas, ácidas.
O passado a limpo tanto encharca 
Quando encobre de azinhavre as pratas.
Tudo tem um jeito encardido na estante.
A Jarra, o pote, a moringa
A gamela no jirau a secar a puba,
A bisaca de farinha de mandioca
O tacho de cobre, o zinabre
A cela, os estribos, o arreio
O tempo enferruja as catracas
No desapear das horas 
Num bater de cascos incansável
Folhas secas pelo chão de dentro
Vento a ventar no riachão,
Bichos soltos a pastar no Vapor
Grito seco da moenda caiana
Caldo de cana nos ariscos
Estouro de saudades da Várzea
No topo da igreja, São Pedro apóstolo
De sentinela a olhar por nós
No peito, prevalece a fé santa  
Que não oxida nem corrói 
A desatada alma da gente
Que prossegue contente 
Em cores vivas!

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