segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

MANADA, por João Maria Ludugero

E lá se vai o gado a pastar, pastoreado.
A ruminar, mastigar seu sustento, sem pressa. 
E lá se vem a manada a beber no açude sua sorte 
Por entre arames farpados, marcas e carrapatos. 
E o gado suporta marcas de ferro em brasa, de fato, 
Limitado a cercas, cancelas e mata-pastos. 
A viver sua sina, a comer a ração propícia 
A prosseguir no rastro, no manejo do leite, 
Passo a passo, domesticada mente, 
A esperar a triste choupa certeira 
À custa do destino que não escolheu. 
Com o azul do céu no pensamento 
Por ter o verde chão sob os pés, 
O gado faz do capim seu vasto legado 
E, sem saber, nem de longe por instinto, 
De sua possante força de estouro e raça, 
Engorda para o corte às arrobas em alta, 
E assim, resignado, a ferro e a fogo, 
Prepara-se para a morte súbita 
Em seus currais de confinamento.

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