quarta-feira, 22 de maio de 2013

CÉU DA BOCA, por João Maria Ludugero


Aquele abraço era o lado bom da vida, 
que me fazia uivar de alegrias acesas,
um abraço assim 
que me alucinava inteiro, 
um abraço que me fazia afoito, 
a me fazer sobejar inenarráveis dádivas,
dessas que nos desatam a liberdade
e nos nos fazem dependurar nas nuvens,
tocando dentro e alto o céu da boca...
E quanta imensidão isso nos dimensionava.
E quanta loucura nos rodopiava e erguia
para valorizar o que de fato se vive fora do ente.
Mas que irônico: pra viver, 
eu precisava desatar-me...
E assim não mais fiquei só, cheio de céu, 
somente após perder-me 
e achar em nós o céu da boca!

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