terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

CANTEIROS, por João Maria Ludugero

 
CANTEIROS,
por João Maria Ludugero

As mãos em colheitas
Não são cravos, nem rosas
Apenas a braçada do tempo
E o plantio da palavra

-são acenos, são afagos?-

Apenas a inquieta ventania 
Sibila pelos ariscos canteiros
Ao logro do íntimo sussurro
De quem por mim não se cala

- Uma busca incessante das favas?-

Na avidez da fome em que me esteio
Nesse rio laranja em que me escondo
Em versos tudo nada ao estio,
Vela flamejante do meu grito

- Um mundo de papel afoito?-

Lavra das palavras que medito
Amor desvairado e amortecido
No verbo me dou, na paixão com afinco
Amando sou a poesia que me aflora...

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