terça-feira, 2 de novembro de 2010

Poesia: Minha Alma



Não sei quantas almas tenho. 

Cada momento mudei. 
Continuamente me estranho. 
Nunca me vi nem acabei. 
De tanto ser, só tenho alma. 
Quem tem  alma não tem calma. 
Quem vê é só o que vê, 
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo, 
Torno-me eles e não eu. 
Cada meu sonho ou desejo 
É do que nasce e não meu. 
Sou minha própria paisagem; 
Assisto à minha passagem, 
Diverso, móvel e só, 
Não sei sentir-me onde estou. 
Por isso, alheio, vou lendo 
Como páginas, meu ser. 
O que segue não prevendo, 
O que passou a esquecer. 
Noto à margem do que li 
O que julguei que senti. 
Releio e digo:  "Fui  eu ?" 
Deus sabe, porque o escreveu.

Alberto Caeiro 
Colaboração: Silvério Reis

2 comentários:

Tatiana Kielberman disse...

Adoro todas as poesias com as quais o Silvério Reis contribui!
Elas encantam ainda mais este blog fofo e especial!

Alberto Caeiro é maravilhoso!

Beijos, querida Sil!

gelci disse...

Boa tarde, permita-me...
Andar por esse jardim colorido de poesias, sentir esse gostoso perfume de amaor dissolvidos em palavras e poder ficar embriagado de belezas, belo trabalho, se me for permitido voltarei outras vezes, parabéns! Obrigado pela doação.
Paz ao teu coração e sejas feliz!