terça-feira, 22 de março de 2011

Morremos todos os dias... e renascemos - Por Cristian Steiner


Há pessoas vivas por aí que morreram aqui faz tempo. 
Há pessoas que morreram faz tempo que vivem aqui na memória.
Morremos todos os dias... Nascemos todos os dias.
Não dá pra ter medo de ver o sol nascer só porque no fim do dia ele irá se por.
E a natureza? Será que ela está aí pra nos evidenciar e nos desiludir com a certeza de que tudo tem um ciclo... início, meio e fim...
Como é difícil aceitar o fim de uma festa, 
O fim de um dia com quem você ama,
Como é difícil aceitar os fins...
Como é difícil aceitar que tudo um dia acaba.
A vida um dia acaba também.
E o que você fez?  
O que deixou de fazer? 
O que escolheu para pensar na hora de sua morte? 
Vai ter tempo de pensar? 
E se tivermos tempo, ficaremos tristes na hora da morte por não termos vivido o que poderíamos viver,
ou por deixar a vida que vivemos intensamente e a qual gostamos tanto?
Tudo que é vivo nasce, cresce, envelhece e falece. 
Que realidade mais dura!
E o mundo te entope de filosofia vazia nos livros de auto-ajuda.
E o mundo te entorpece com religião, álcool e outras drogas.
E o mundo te vende uma felicidade descartável e com prazo de validade.
Como é cômico e trágico aquelas "setentonas" da TV 
tentando a todo custo esticarem suas peles e levantarem suas bundas e peitos. 
Como é ridículo o sucesso da indústria farmacêutica! 
O fato é que todos querem driblar e se esquivar do beijo da morte. 
Querem a todo custo comprar uma ilusão de eternidade, 
quer seja pela religião, 
pela estética, 
poder 
ou outras drogas.


‎"A morte não é a maior perda da vida. A maior perda da vida é o que morre dentro de nos enquanto vivemos." (Pablo Picasso)

A branda fala da morte não nos aterroriza por falar da morte. 
Ela nos aterroriza por falar da vida. 
Na verdade a morte nunca fala sobre si mesma. 
Ela sempre nos fala sobre aquilo que estamos fazendo com a própria vida, 
as perdas, 
os sonhos que não sonhamos, 
os riscos que não corremos (por medo), 
os suicídios lentos que perpetramos.

(Rubens Alves, 1991)





Vou te encontrar vestida de cetim,
Pois em qualquer lugar esperas só por mim
E no teu beijo provar o gosto estranho
Que eu quero e não desejo,mas tenho que encontrar
Vem, mas demore a chegar.
Eu te detesto e amo morte, morte, morte
Que talvez seja o segredo desta vida
Morte, morte, morte que talvez seja o segredo desta vida.
(Raul Seixas)

7 comentários:

Max Psycho disse...

Nossa Sil, adorei seu texto, me identifiquei com vários pontos dele

Tatiana Kielberman disse...

Lindo texto e belas verdades, querido Cristian!

Devemos valorizar a vida a cada segundo...

Beijos! Parabéns!

RosaMaria disse...

A arte da vida é da superação. Eu, supero-me sempre!

Cris, lindo texto como sempre

Bom demais ler suas linhas.

Beijos

Sil....

Beijos procê tb!

Sil Villas-Boas disse...

Parabéns pelo texto, Cris.
Como eu te disse antes, tá show de bola.
Bjussss
Sil

PS. Oi Max.
Agradeço as palavras elogiosas, mas o texto é do Cris e não meu.
Bjusss pra você, Anjinho.

Guará Matos disse...

Amigos Cristia e Sil me permitam um comentário extenso, porém é uma belíssima composição da MPB:

MEDO DA CHUVA
(Paulo Coelho / Raul Seixas)

É pena que você pense
Que eu sou seu escravo
Dizendo que eu sou seu marido
E não posso partir

Como as pedras imóveis na praia
Eu fico ao seu lado sem saber
Dos amores que a vida me trouxe
E eu não pude viver

Eu perdi o meu medo
O meu medo, o meu medo da chuva
Pois a chuva voltando
Pra terra traz coisas do ar

Aprendi o segredo, o segredo
O segredo da vida
Vendo as pedras que choram sozinhas
No mesmo lugar

Eu não posso entender
Tanta gente aceitando a mentira
De que os sonhos desfazem aquilo
Que o padre falou

Porque quando eu jurei meu amor
Eu traí a mim mesmo, hoje eu sei
Que ninguém nesse mundo
É feliz tendo amado uma vez...
Uma vez

Eu perdi o meu medo
O meu medo, o meu medo da chuva
Pois a chuva voltando
Pra terra traz coisas do ar

Aprendi o segredo, o segredo
O segredo da vida
Vendo as pedras que
Choram sozinhas no mesmo lugar

Vendo as pedras que
Choram sozinhas no mesmo lugar
Vendo as pedras que
Sonham sozinhas no mesmo lugar
_____
Bjs.

_____

Sil, claro que pode. Mas com a mesma imagem também.

Bjs.

Emoções disse...

Para o poeta, sinônimos não existem. Cada palavra soa, cheira, degusta e diz diferente.

A Viajante disse...

A cada dia morremos um pouquinho, uma morte que antecede a vida eterna, e concordo com a linda frase de picasso, temos que viver ao máximo aproveitando os verdadeiros valores da vida, para nao morremos por dentro!!

adorei:
"A morte não é a maior perda da vida. A maior perda da vida é o que morre dentro de nos enquanto vivemos." (Pablo Picasso)

Beijão e cada dia aqui fica melhor!!