segunda-feira, 12 de setembro de 2011

NUNCA FUI SANTO!


Autor: João Ludugero

Movediça, buliçosa e
Até mesmo quando 
Mal-ajambrada,
Minha língua corre solta
A chafurdar os céus abertos
A se entranhar pela Poesia solta
Pelas quatro bocas ansiosas
A ganhar o mundo.
Longe de mim querer ser cabotino!
Lúcido e desatinado, prossigo ávido,
Ensimesmado nessa impermanência
Que me atém por todos os lados. 
Acaranguejado, de banda desando.
A penetrar tua alma  ao meio, de volta,
A queimar pelo avesso os tédios, de súbito,
Discorro em teus lábios de ardente cometa. 
Perdido me acho, sem pudor  
A desbravar umbigos e rasgar versos
Achados nos meandros animados
Dos verbos blindados, cautelosos, 
reinventados à toda prova
Na sisudez das palavras-balas 
Que o coração lapida em frente e verso,
Quando insiste em me atirar aos ombros
O peso da cruz do ego alterado
Que carrego toda vez
Que me pego a caminhar sem prumo
Pelo vão minado da tua boca pagã,
Justo eu que nunca fui santo, me entrego afoito, 
Corro o risco de virar estátua, fico cego e surdo,
Pareço mais ter olhos de vidro, divago pecador 
Ao mirar tua retina metamórfica,
Ao passo que acabo por me achar atado 
Numa potente camisa-de-força, 
Seduzido que sou pela promessa 
Que emana desse teu olhar de vênus,
Ou seria de medusa? 

7 comentários:

Fernanda disse...

Sempre muito bom ler João!

Sil Villas-Boas disse...

Pra se começar bem uma segunda-feira, iluminada com os versos do João.
Bjusss
Sil

Universo Paralelo disse...

Muito bom o poema, tenha uma boa segunda, beijos.

Luna Sanchez disse...

"Na sisudez das palavras-balas
Que o coração lapida em frente e verso"


E quase nunca se consegue desviar...

Um beijo.

João Ludugero disse...

Obrigadão gente, adoro os coments de vocês!!!
Isso é para mim um grande estímulo, o que muito me impulsiona a continuar escrevendo meus singelos poemas. Gosto de chegar aqui e ver o carinho de todos, através de primorosas palavras de carinho. Ótima semana! Saúde e alegrias duradouras.
Abraços,
João Ludugero, poeta,
eterno aprendiz de

RosaMaria disse...

Nunca fui santa! Nunca fui normal!
Graças a Deus por isso.

Um beijo pra ti poeta.

João Ludugero disse...

Muito grato, RosaMaria!
Que bom que temos a base, digo o alicerce para um dia, só Deus sabe, alguém requerer nossa canonização...porque para ser santo é preciso ter lá seus pecados! Risos!!!
E, pelo que vemos, não podemos garantir nosso futuro, pois certamente não cruzamos os braços ao viver... E bem curtamos a vida, pois ela é curta demais para ser pequena!
Eu, de santo, não tenho nada... Só se for santo do pau-oco!!! Kkkkkkkk!!!!