quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Dias de Tormenta - Cláudia Costa

                                           

Mulher de tempestade, dias cinzas, nublados
Dias de água transbordando por todos os lados
Fora e dentro.
Dias de mar caindo das nuvens
Dias de pensamentos profundos

Um sono intenso me toma
Me leva pros braços quentes do inconsciente
Um lugar onde a racionalidade não tem vez.

Tudo se refaz em tempos de águas
Essas que movimentam meus caminhos mais escuros
Minhas faltas mais escondidas
Meus desejos esquecidos.

Chove lá fora
E aqui...
Tá tão escuro...

A saudade que esfria tudo
É a mesma que ainda me aquece o dia.
Tudo regado a palavra não dita
Que distancia

Por hoje, as águas invadem meu mundo
Transbordam em meus olhos
Lavam meus espaços
Esvaziam...

Por hoje as tempestades
De céus e mares
Movimentam desejos obscuros

Em breve, a lua muda
A tormenta passa
As nuvens voltam
A recepcionar minhas gotas

O oceano volta a dividir suas águas
As ausências amenizam seus espaços
E eu volto a caber em mim
Sem transbordar.



5 comentários:

Sil Villas-Boas disse...

Cláudia

O bom de ser mulher é que podemos ter estas mudanças de estações sem perder a ternura e sensibilidade.
Bjusss, poetisa-flor deste Jardim.
Sil

Tatiana Kielberman disse...

Eu me lembro de ontem mesmo ter comentado que, nos dias de tormenta, aprendo ainda mais com você do que em dias de raio de sol...

Acho que isso se deve justamente à sua inconfundível intensidade, que ilumina tudo ao redor, mesmo quando o tempo está frio, gélido, sem cor.

Agradeço pelo seu olhar que sempre agrega, mostrando que a realidade (ah, aquilo que achamos que é realidade...) pode ser dura, mas se torna mais amena quando há pessoas como você por perto!

Te amo muito, amiga, de todo o coração!!

E seus poemas me tocam cada vez mais de um jeito imbatível...

Ah... não adianta: acho que sua alma grandiosa nunca vai caber dentro de si!

Beijo carinhoso!

Luna Sanchez disse...

As minhas tempestades internas sempre anunciam boas novas.

;)

Um beijo, Cláudia.

Emília Pinto e Hermínia Lopes disse...

Este dias de tormenta caíram em mim como uma bonança; sou mulher e como qualquer outra sinto todas essas emoções; a mulher é assim, como a vida, cheia de intensidade nos sentimentos.Está lindo este hino à mulher, à vida. Assim como o post anterior sobre Gandhi. É um dos lideres de que mais gosto; lider no seu verdadeira significado, Como sempre ele nos mostra que, assim como a vida, somos um verdadeiro espelho e por isso temos que procurar ser um exemplo para nós mesmos e para os outros; a vida só dá o que recebe e assim sendo devemos abraçá-la com um sorriso nos lábios, um olhar brilhante e uma mão sempre pronta a acariciar, a saudar a ajudar. Todos esses gestos se refletirão no espelho da nossa alma que se iluminará e que saberá distribuir essa luz por todos à sua volta. Foi muito bom ter vindo aqui. Fica bem, amiga e até breve!
Emília

Menina no Sotão disse...

As tormentas na pele são filigramas de raios de sol. Afinal, até no sol há tempestades, não é mesmo? rs

bacio