quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

QUEM É A DONA DOS PÉS DO RIACHO DA SAUDADE?, Por João Ludugero

Na minha Várzea das Acácias,
o rio Joca formava o poço dos Damas,
que ficava lá no riacho de água salobra.
parte da vida era levada na beira do rio
onde a gente lavava a alma
Ao dar mergulhos agarrados na coragem
de enfrentar a contra-corrente.
Num dia de chuva, por pouco não me deixei
levar pela enchente, por sorte
acho que a correnteza me era assim
tal qual uma conhecida amiga
que me empurrou para o outro lado do Joca.
De lá pra cá, me acostumei com as águas
e nunca mais tirei os pés do rio.
Por isso que ainda sinto salobra
a água morna molhar meu rosto:
É a saudade que se debulha
em meus olhos d'água.
Lembro quando minha mãe Maria
tocava seus pés na água rasa.
E, na memória ficou a doce lembrança
daquela terna imagem emoldurada.
Recordo-me que desde cedo
eu aprendi a nadar. Será?
Então se aprendi, porque que o meu peito insiste
em querer-me afogar nessas águas rasas?
Acabo assim marejado,
de olhar submerso em lágrimas,
pois sei que minha mãe Maria não vai mais voltar...
Mas quero guardar comigo 

aqueles instantes eternizados
em que a vi molhando os pés no riacho...
E, ao que parece, eles estarão lá para sempre,
porque sonho acordado com essa paisagem
que o rio emoldurou no cerne
do meu coração tão varzeano.

Um comentário:

Sil Villas-Boas disse...

Que lindo este poema, João.
Qual de nós nunca teve uma saudade guardada na alma? Adorei seus versos.
Bjusss e bom findi.
Sil