segunda-feira, 8 de julho de 2013

ACONCHEGO por João Maria da Silva.


Já percebi que só o amor desbasta o ego. 
Enxuga excessos, delata as mínguas. 
Enaltece ânimos ao aconchego.
Transforma as mágoas, destrona arrogâncias 
e idealizações patentes. Desmancha certezas 
e tece oportunidades, sem medo da cuca pegar.


Esbugalha a autoimagem todinha, 
piedade zero, culpa nenhuma. 
Só o amor percorre territórios devastados da alma 
com a calma necessária para reflorestar um a um. 
Dissolve penumbras. Revela o sol 
a reverdecer descaminhos,
Destece abruptas máscaras. 
Reinaugura a humildade. 
Refaz ventania pelas quatro bocas em órbita,
da rua grande até a praça do encontro.
Faz chorar ou sorrir, sem composturas.
Faz tempestade um monte de vezes a dentro, 
só pra fazer chegar também o céu azul 
um monte de vezes depois!

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