sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

DE BEM COM A VIDA, por João Maria Ludugero

 
 
  
 
 
 
 
 
 
 
 DE BEM COM A VIDA,

por João Maria Ludugero. 

O azul tremia imerso num enorme chão reverdecido. 
Absoluto, deixou-me aos aromas a caminhar adiante, 
Feito vento que chega e alarga seu olhar de uma vez só
e sem esforço solta-se neste inenarrável paraíso... 
Arrasta as ideias, o pensamento, para na tua frente 
Com o mundo a correr dentro apertado no peito... 
Arruma o cabelo da mesma forma que crava os olhos no céu. 
Primeiro seu rosto, o contorno da boca e depois a linha 
Do horizonte mais definida a cada instante com devastadora clareza. 
Meu olhar dura mais que o poente acima da sua pele,
Liquefazendo as palavras sem perder o equilíbrio, 
O sorriso corre nos lábios como um marinheiro de pelo na venta
Em terra firme, revirando as paredes do completo bem-estar, 
Fazendo malabarismos no colo à exaustão de bem-viver, 
Sutilmente beija a minha nuca, descansa os abismos,
Afasta o medo da cuca maluca, atira os olhos destemidos 
Em sua presença espairecendo completamente a lida
Ao folhear uma página da vida repleta de amores, 
Repassando seus sabores de uma folha para as outras, 
Amparando o coração com o fosforescer da alma inteira.

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