sábado, 25 de janeiro de 2014

LUDUGERO AOS SOLAVANCOS, por João Maria Ludugero

 
 
 
 
 
LUDUGERO AOS SOLAVANCOS,
por João Maria Ludugero 

Minha alma anda fora do ente. 
Logo que nasci bem que tentaram 
Prender-me a si mesmo. 
Ah, mas eu fugi, a correr dentro, 
Oásis-meado a contento, evadi-me, 
Desertei do pátio da lida, 
Aprendendo a ser Ludugero 
Desde que me entendo por Ludugero. 

Se a gente se cansa de repassar 
Pelas bermas do mesmo caminho 
Do mesmo acreditar no apurado afinco 
Por que não se achar além do labirinto? 
Minha alma procura-me ninar, 
Mas eu ando bem destemido e tal... 
Oxalá que ela me assanhe em afoito colibri 
E nunca me encontre só adejando ao vento, 
Pois caibo além no vigoroso calibre 
De ouriçar até os pelos da venta... 

Ser um é ser feito cela esbaforida, 
Ser eu é não ser apenas coisa do ente, 
Viverei fugindo à torta e à direita, de banda 
Mas vivo a valer, isso me induz ao audaz intento 
De redobrar a esquina ao clarão da tarde amena.

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