quarta-feira, 24 de setembro de 2014

HOMEM-VÁRZEA, por João Maria Ludugero





 

 

 
 
 
 
 
 





HOMEM-VÁRZEA, por João Maria Ludugero

Criatura que peleja na lida...

Traz no suor a marca das bênçãos
Advindas das mãos de São Pedro Apóstolo,
De sentinela no topo da igreja-matriz 
Dentre as duas palmeiras imperiais
Dos rincões da Várzea das Acácias,
Da plantação que cultiva ao Vapor de Zuquinha.
Homem de fibra, das mãos calejadas,
Anonimamente sustenta sua Várzea,
Sob um sol ávido por roças na campina
Do torrão das patativas, sabiás e anuns...

Seu olhar em silêncio desencadeia acordes de sonhos

A partir de um roçado de feijão, milho, jerimum e macaxeira
A reverdecer o abençoado chão-de-dentro,
Seara potiguar de madrinha Joaninha Mulato,
Inesquecível Mãe de uma longa prole varzeana.
Todo amor e gratidão a ti são poucos...
Se acordas, oh varzeano, se lanças de novo...
A cada manhã, antes do raiar do sol amar-elo,
Desde os Ariscos aos lajedos dos Seixos,
Desde o Umbu ao Itapacurá de tio João Pequeno.

Homem de garra, coragem e determinação,

Imagem da dignidade e da honra,
Que nem à enxada se trava...
Referência de luz como farol
A reverdecer sua inspiração com afinco
Pelos bons ares da Várzea de Ângelo Bezerra.

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