quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

A Flor da Pele


Revejo nossas fotos.
Vestígios de um passado ainda muito presente em mim.
Imagino, ou pelo menos tento,
Se você continua com o mesmo jeito de sorrir.
Se ainda tem aquela velha mania
De captar poesia
Em tudo que olhava:
Nas nuvens, estrelas,
Nas pedras do nosso jardim.
Colocavas versos até no meu jeito de andar.
“Teu andar é displicente.
Andar que acende a minha vontade
De querer interromper teus passos,
Apenas para te abraçar”.

E da minha janela, entre uma foto e outra, vejo pessoas.
Pessoas à flor da pele.
Apressadas, emudecidas
Entristecidas, apagadas
A carregar o peso de um olhar vazio.
De sonhos e de realidade
De dúvidas e ansiedade
Presas num espaço amplo
Dentro de um mundo pequeno
Pessoas que se perguntam
Se o amanhã será igual ao ontem

E a tarde se vai
E a noite vem
Com suas estrelas e lua
E vazia fica a rua
Sem ninguém
Para ver mais

3 comentários:

Max Psycho disse...

Mesmo quando não há ninguém na rua, mesmo quando não há ninguém nas fotos, ainda existe Deus e é isso que importa, bjus baby

Suzana Martins disse...

Que lindo Sil, que perfeito!!

Eu passo pela sua janela e estou assim: a flor da pele. Revestida na minha pele, precisando de pele, rs...

Ando procurando uma pele que me vista, mas que não seja de flores...

Perfeito, linda!!^^

Beijos

Tatiana Kielberman disse...

Querida Sil,

Versos lindos e cheios de luz para encantar a nossa quarta-feira!

Amei de paixão, como amo tudo o que você escreve!

Maravilhoso!

Não pare nunca!

Beeijos!