sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

A CRUZ DO RIO, por João Maria Ludugero


E lá está a cruz do rio,
sozinha na entrada da rua do arame.
Na solidão vive dia e noite, 
depois de tantos sóis,
depois de tantas luas.
Esquecida do mundo, 
só lembrada quando alguém que por lá
passe e pare faça o sinal da cruz,
levando um buquê de flores,
uma oração, uma prece a favor.
Quando o dia finda 
e a noite vem baixando 
na Várzea das Acácias,
lá pras bandas do rio Joca, 
onde a cruz foi erguida, 
canário-de-chão solitário 
canta e dança
ao redor da capelinha, 
deixando lindo o cenário.
Ao lusco-fusco, na penumbra das moitas,
piscam pirilampos ou vaga-lumes,
como que a encantar o vento 
que sopra dentro da tarde amena 
pelo ermo dos campos do Vapor 
brincando e beijando a cruz do rio da cruz.

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