domingo, 12 de janeiro de 2014

SOLAVANCOS, por João Maria Ludugero

 
SOLAVANCOS,
por João Maria Ludugero 

Aos solavancos, fico de cubar a lida, 
Mas não me indagues, duvidosa criatura 
— Não careço de sabê-lo — que fim, a mim e a ti, 
O Supremo Deus destinou, nem desvairadas previsões procures. 
É bem melhor ficar a suportar o que vier, além do bom alvitre. 
Que muitos manjares a vida nos dê, que não seja a última dádiva, 
Esta, que agora se refaz nos gastos lajedos dos Seixos, 
Das cinzas do tempo esbugalhadas ao arisco verde-musgo. 
Sejamos sensatos, decantemos a destilada cachaça 
Que enquadra à vida breve a longa expectativa. 
Nós dizemos, e o invejoso tempo esvoaça atroz, 
A correr dentro e alto atrás de muitas respostas, 
Recolhendo viço em cada dia-após-dia, acreditando pouco 
No que amanhã reverdecerá pelas trilhas dessa estrada 
Que tantos pés pisaram dentre tantas outras longas estações...

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