domingo, 12 de janeiro de 2014

O LIVRO E A CACHAÇA, por João Maria Ludugero




 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O LIVRO E A CACHAÇA,
por João Maria Ludugero.

Não é só de manjar ou cubar a lida,
Mas, é bem sabido, que o livro é um fiel amigo nas mãos, 
Alimento da mente, inenarrável fonte de sabedoria.
A cachaça é água ardente em travo, estalido de língua, 
Sabor à comida, asas no espírito substanciando o intento. 
Enquanto aquele é útil, melhora dia-após-dia as coisas insossas;
Esta por vezes deixa sequelas, provoca a cuca
Porque fomenta o impulso da paragem difícil...

Nos anos porvir, que não mais tardam, 
Calcorreando as velhas ruas da pequena Várzea, 
E as novas ruas abertas além das quatro bocas do impossível, 
Saborearemos em viagens da memória a cachaça proibida 
E cantaremos os livros de histórias e poemas mágicos e distantes.

Para já sugiro que travemos a pressa dos anos, 
a solavancar o feitiço de reverdecer a vida da gente, 
começando a gostar de ler e viajar dentro do interior da poesia.

Por isso convido-te numa destas noites varzeanas, 
A acolheres minhas palavras soltas e alinhadas 
Nos simples poemas que faço, pousando os olhos 
Nas palavras e a escorropichares o espirituoso, 
Que acompanha minha prosa poetizada, 
Nascido em terras potiguares, papa-jerimuns 
E destemidos comedores de camarão no alguidar 
A deglutir o meandro dos entardeceres amenos, 
Que te trará ávidos e calorosos vapores no nariz 
E te encurtará a sede quando passada a garganta, 
Se espalhar a correr dentro e alto pelo corpo todo, 

Antes de me assanhar até com os pelos da venta!

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