terça-feira, 14 de janeiro de 2014

VOVÔ ODILON LUDUGERO, por João Maria Ludugero

 
  
 
 
 
 
 
 
VOVÔ ODILON LUDUGERO, 
por João Maria Ludugero

Não desgasta os eixos de tuas pernas
com o sorver da estiagem inútil
engastada numa tela ávida
Reserva-as para os momentos
de ir onde ficam os freios
e os mulungus das frondes vívidas
e recuperarás a ciência
de conhecer a voz das árvores
e do aninhar dos seixos
num caudal de fonte
A rua grande está vazia se te ausentas
A Várzea se despedaça
se tu não permites os ânimos...

Repousa os nervos em sal
e as alturas não vençam
com o terror das dormências
Deixa sãs as tuas pernas
para a próxima jornada
Já ao rebulício das águas do rio Joca
Já canta um bem-te-vizinho,
eriça as penas nas frondes
do vívido freixo verdejante
A aridez já se desfaz radiante
quando os compassos reverdecidos
se vão por uma porta agreste...

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