domingo, 9 de novembro de 2014

SEU PLÁCIDO 'NENÊ TOMAZ' DE LIMA, A RESENHA DE UM DOS HOMENS MAIS RICOS DO MUNDO! por João Maria Ludugero

 
SEU PLÁCIDO 'NENÊ TOMAZ' DE LIMA, A RESENHA
DE UM DOS HOMENS MAIS RICOS DO MUNDO!
por João Maria Ludugero

E, ao crepúsculo na tarde amena,
Dava um suspiro profundo e dizia:
- Graças a Deus, por mais um dia!
E assim encerrava a lida e, num zás!
Deixava para trás toda santa fadiga,
Sem levar para casa nada que o afligia.
Arrumava com cautela todas as bolachas, brotes,
Pães, biscoitos e regalias, sem esquecer de saldar
Com respeito e afinco os bem apanhados pitéus
Das faceiras meninas varzeanas a desfilar suas belezas
Dia-após-dia, pelo vão das quatro bocas da rua grande
A atravessar a Brasiliano Coelho de Oliveira,
Sem nunca esquecer de agradecer e se benzer
Com a solene chegada da hora do “Angelus”.

Sussurrava os benditos agradecimentos,
Interrompia pra dizer a São Pedro:
Até amanhã! e entrava em casa
Para jantar a mais gostosa comida
Preparada com esmero e temperança
Por dona Tide, a destemida esposa
Que já na janela o aguardava, alerta,
Toda de cabelo na tiara, talco no rosto,
Vestidinho estampado e bonita chinela.
Ela também entretida rezava
O Rosário à bendita Ave-Maria.

Só interrompiam-se um ao outro,
Num jeito carinhoso e pitoresco de serem
Às vezes para trocar um abraço e abençoar
Aos filhos. Conversa pouca de quem, na vida
E na cumplicidade aprendeu a falar pelo olhar.
E, aos domingos, se cuidava em traje completo.
Com tudo muito bem passado, cabelo alinhado,
Fiel às orações na igreja do santo padroeiro,
Ia, bem apanhado, cedinho pra rezar o terço
E logo retornar à padaria
Para a venda dos gostosos brotes,
Soldas, bolachas regalias, biscoitos,
Roscas, pães e bolachões...
Seu Plácido 'Nenê Tomaz' de Lima
Era o homem mais rico do mundo!

Eternas saudades, ternas recordações.
E tinha tudo, não lhe faltava quase nada,
E creia! Achava que até que lhe sobrava muito,
Emprestava para os filhos, filhas, amigos e compadres,
Aos necessitados até doava, consentido em bênçãos.
Quando faleceu, chegou a dizer um compadre seu:
- Morreu um homem bom, Seu Plácido Tomaz de Lima,
Que nasceu, viveu e, ao ir embora ao céu, pois
Habitar junto ao trono do Supremo Arquiteto
do Universo, a ninguém nada ficou a dever!
E, assim sendo, não só de manjar na lida,
Mas, assim bem viveu sem nada dever,
Legado e riqueza que muitos reis não tiveram!

Conforme boa justiça e os frutos de sua lida,
Seu Plácido 'Nenê Tomaz' de Lima virou nome de Escola
E deixou o aprendizado de uma vida pra lá de preciosa.
Ele hoje descansa seus restos no cemintério-jardim
Dentro e alto da Várzea do agreste verde potiguar
Que nunca lhe faltou na vida, de honrado trabalho,
Desde a infância vivida junto à Lagoa Comprida!


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